14 de julho de 2010

Empregado devolve 39 mil euros esquecidos por hóspede

Um empregado paquistanês devolveu cerca de 39 mil euros (50 mil dólares) que terão sido esquecidos num hotel por um hóspede.

Essa Khan, de 51 anos, terá encontrado o montante em dinheiro vivo no quarto de um trabalhador japonês, no Serena Hotel em Gilgit, na província de Punjab, no Paquistão.

Tendo como base as ideias de “dever” e “educação familiar”, o empregado - que apenas ganha uma média de 314 euros mensais - defendeu que “os tempos são difíceis para todos”. O empregado salientou ainda que “isso não significa que deveríamos começar a roubar e tomar coisas que não nos pertencem.”

Kahn já recebeu, entretanto, um prémio pelo governo como forma de prestigiar a sua honestidade. O autor do gesto filantropo já sublinhou que pretende desta forma ajudar a erguer a imagem do Paquistão: “Eu quero que as pessoas ao redor do mundo saibam que há muita gente boa no Paquistão – não são todos terroristas aqui”.

FONTE: http://www.ionline.pt/conteudo/69039-empregado-devolve-39-mil-euros-esquecidos-hospede-

Dirigentes só têm prémios se aceitarem ser avaliados pelos trabalhadores

A proposta foi apresentada ontem aos sindicatos, no mesmo dia em que se ficou a saber que, apesar das melhorias, cerca de 20 mil funcionários não foram avaliados no ano passado.

Só os dirigentes que aceitem ser avaliados pelos seus colaboradores e que consigam reduzir despesa terão direito a receber prémios de gestão. O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Estado da Administração Pública durante uma reunião com o conselho que coordena o sistema de avaliação da função pública (SIADAP), onde apresentou também os resultados da avaliação de 2009, que deixou cerca de 20 mil trabalhadores de fora.

Gonçalo Castilho dos Santos comprometeu-se a regulamentar a atribuição de prémios de gestão aos directores-gerais e presidentes dos organismos públicos ainda este ano.Mas deixou já claro que os prémios ficarão limitados aos dirigentes que aceitem ser avaliados pelos trabalhadores. A lei já prevê que os colaboradores directos possam participar na avaliação dos dirigentes, através da resposta a um inquérito, mas isso tem carácter facultativo. Contudo, ao fazer depender os prémios dessa avaliação, o Governo acaba por torná-la obrigatória.

A avaliação das chefias passará a ter em conta - além dos objectivos definidos na carta de missão - a sua capacidade de reduzir os gastos dos serviços. Esta ideia já constava do Programa de Estabilidade e Crescimento e foi apresentada com o objectivo de ajudar a controlar as despesas do Estado, mas Gonçalo Castilho dos Santos não precisou se a redução dos gastos passará a ser um objectivo fixado na carta de missão das chefias. Segundo o secretário de Estado, a proposta ainda está a ser estudada e deverá ser apresentada aos sindicatos durante a negociação geral anual em Setembro ou Outubro. O que é certo é que também este parâmetro contará para a eventual atribuição de prémio de gestão.

IGF detecta problemas

No encontro de ontem, o Governo garantiu aos sindicatos que 94 por cento dos trabalhadores foram avaliados de acordo com as regras do SIADAP, uma percentagem ligeiramente superior aos 90 por cento de 2008. Ainda assim, continua a haver perto de 20 mil pessoas que não foram avaliadas através do SIADAP.

Por detrás deste números foram também detectados problemas, como revelam as auditorias efectuadas pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) no ano passado. A IGF visitou 220 organismos públicos para analisar a forma como o SIADAP estava a ser aplicado e para verificar se os prémios de desempenho dos trabalhadores respeitavam as quotas. Em um por cento dos casos, as quotas não foram aplicadas e em cinco por cento detectou-se falta de articulação entre os objectivos dos serviços e dos funcionários, os objectivos foram traçados a meio do ano e, em alguns casos, só foram apresentados no final do ano.

Apesar das situações detectadas confirmarem algumas denúncias feitas pelos sindicatos, os números ontem apresentados ao conselho coordenador do SIADAP são mais positivos do quo o retrato traçado pelos representantes dos trabalhadores. Para os sindicatos o principal problema neste momento continua a ser a dificuldade de os trabalhadores participarem na contratualização desses objectivos. Na perspectiva do secretário de Estado da Administração Pública, as auditorias revelam "dificuldades pontuais, que na maioria dos casos foram corrigidas de imediato".

FONTE: http://economia.publico.pt/Noticia/dirigentes-so-tem-premios-se-aceitarem-ser-avaliados-pelos-trabalhadores_1446656?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

13 de julho de 2010

Vaticano funciona como offshore

"Obra de jornalista italiano revela os esquemas corruptos que se escondem sob a gestão financeira da Santa Sé.

Num cruzamento, perto de uma auto-estrada, do cantão suíço de Ticino, uma camponesa idosa guardava na sua cave duas malas Samsonite cheias de papéis arrumados em pastas de cartolina amarela. Durante quase trinta anos, recebeu aquelas pastas, sem nunca saber que o que guardava eram documentos que abriam a porta para um dos segredos mais bem guardados do mundo: as finanças do Vaticano.

No Verão de 2008, coube a um jornalista italiano da revista Panorama, Gianluigi Nuzzi, ir buscar estas malas que continham o arquivo secreto de monsenhor Renato Dardozzi, que, entre 1974 e o final da década de 90, foi uma das figuras mais importantes do Instituto das Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano. Dardozzi, falecido em 2003, manifestou no seu testamento a vontade de tornar públicos estes documentos. Foi a partir deles que o jornalista escreveu o livro Vaticano S. A., que veio agora apresentar a Portugal.

Esta obra, frisa Gianluigi Nuzzi, "não é mais um livro de teorias da conspiração mas o resultado de uma investigação de dois anos, em que todos têm nomes e tudo o que é dito é baseado em provas e não em fantasias".

Na sala de um hotel de Lisboa, o jornalista lembra os meses passados numa sala "pequena, abafada, sem ar condicionado nem casa de banho", a percorrer "um labirinto de cerca de cinco mil documentos que reconstroem, a partir do interior do Vaticano, acontecimentos financeiros duvidosos, ligações inquietantes à Mafia, a Giulio Andreotti (dirigente da Democracia Cristã italiana) ou ao sindicato polaco Solidariedade.

Monsenhor Renato Dardozzi tinha acesso aos círculos mais restritos e fechados da Santa Sé, às saletas de "portas duplas, onde se edificavam operações financeiras arrojadas, onde se abafavam escândalos, ou se afastavam pessoas", explica Nuzzi. Os documentos que Dardozzi guardou provam que "o Vaticano funciona como uma offshore. Para lá da Colunata de São Pedro e sob a capa de obras de bem, cometem-se crimes financeiros e não só".

Este livro dá conta dos acontecimentos que se seguiram aos escândalos do banco Ambrosiano e da Banca Privata Italiana, bem como às mortes misteriosas das figuras de proa dessas instituições Michele Sindona e Roberto Calvi, ou ainda a de Albino Luciani (Papa por 33 dias). Pois, como explica Nuzzi, estes escândalos não impediram que o Vaticano prosseguisse com "manipulações políticas, subornos, pagamentos a políticos corruptos e elementos da Mafia, burlas e até mesmo um elaborado sistema de lavagem de dinheiros, só possível porque o Vaticano é um Estado com leis e um estatuto próprios. É um mundo inexpugnável em pleno coração da Europa".

Em Vaticano S. A., pessoas, instituições de caridade, fundações (como a Fundação Spellman, que faz a gestão dos dinheiros de Andreotti) vão entrando e saindo de cena como se de um palco de teatro se tratasse. Cruzam-se relações de poder de indivíduos e grupos interiores e exteriores à Santa Sé.

Há, porém, um que sem aparecer está omnipresente em toda a narração: Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. O jornalista reconhece que " Wojtyla era apenas a cúpula de uma gigantesca engrenagem que ele não controlava. Até porque no Vaticano "a verdade nunca é só uma", afirma Gianluigi Nuzzi."

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1616289&seccao=Livros

10 de julho de 2010

Turismo paga aluguer de viatura de luxo

Decisão de alugar uma viatura por 1300 euros mensais está a causar mal-estar.

O aluguer a uma rent-a-car de uma carrinha de luxo BMW 318, pela Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA) para uso exclusivo de uma vice--presidente, está a causar mal-estar na instituição. Cerca de oito mil euros foram gastos nesse aluguer, desde o início do ano, quando a ERTA tem um Audi A4 parado.

O assunto foi discutido no âmbito da ERTA e terá motivado acesa discussão e forte oposição do vice-presidente António Almeida Pires.

'Não confirmo essa discussão', disse ao CM, Almeida Pires, que adianta: 'Utilizo viatura particular e nunca cobrei os quilómetros devidos', garante o dirigente, que reconhece a necessidade de alguma contenção de despesas 'numa altura em que o País atravessa grave crise económica', lembrou.

Nuno Aires, presidente da ERTA, disse ao CM que 'é um aluguer temporário. A vice-presidente recusou-se a usar o A4, que efectivamente não está em condições e que não oferece segurança'.

Helena Marques, a vice-presidente visada, explicou o aluguer do BMW. 'Utilizava o Audi, que tem 300 000 km de uso, mas fiquei na estrada, várias vezes, por avarias, de madrugada, quando me deslocava sozinha, por não ter direito a motorista', disse a dirigente, que invocou ainda falta de segurança. 'Os travões deixavam de funcionar de repente', disse Helena Marques, que justifica o aluguer de uma viatura de luxo. 'Consegui preço especial (cerca de mil euros mensais) e realizar viagens longas com regresso no mesmo dia, justifica um carro cómodo', referiu.

PORMENORES

ESPECIAL


Carrinha BMW 318, de 1800 C3 de cilindrada, a gasóleo, só é alugada por clientes especiais. O seu aluguer custa normalmente cerca de 250 euros diários.

AUDI 4

A ERTA tem, ao serviço, desde 2000, dois Audi 4 de 2500 C3 de cilindrada, a gasóleo. A sua compra foi, na altura, muito questionada devido à sua alta cilindrada.

VOLVO

O presidente da instituição tem direito a um Volvo também com elevada quilometragem e cerca de dez anos de serviço. Também espera substituição.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/turismo-paga-aluguer-de-viatura-de-luxo

7 de julho de 2010

Força Aérea deixa Sócrates em terra

Tripulação do Falcon recusou transportar o primeiro-ministro de Bruxelas para Lisboa, porque tinha de descansar. Regresso foi em voo comercial.

A Força Aérea recusou transportar o primeiro-ministro entre Bruxelas e Lisboa na noite de 7 de Maio passado, após a realização da cimeira onde os líderes europeus aprovaram a ajuda financeira de emergência à Grécia. Com a recusa da tripulação do Falcon em voar, baseada na legislação que impõe regras precisas para o repouso, José Sócrates teve de regressar, no dia seguinte, a Lisboa num voo comercial.

Ao que o CM apurou, a tripulação do Falcon, que havia transportado o primeiro-ministro de Lisboa para Paris e daqui para a capital da Bélgica, baseou a recusa em regressar a Lisboa na noite de 7 de Maio na necessidade de repousar, dado que já teria ultrapassado o limite máximo das horas de voo. Certo é que, segundo fontes conhecedoras do caso, José Sócrates não gostou da atitude dos militares da Força Aérea que constituíam a equipa do Falcon.

Contactado pelo CM, o gabinete do primeiro-ministro não comenta este caso e o gabinete de Relações Públicas da Força Aérea remeteu as explicações para o Ministério da Defesa. O gabinete de Augusto Santos Silva avança uma explicação geral: 'Entre outras missões, os Falcon destinam-se a assegurar a deslocação de altas individualidades do Estado. As regras a que obedecem as actividades das tripulações, designadamente quanto a tempos de voo e de repouso, têm por fundamento a garantia da segurança dos voos e estão regulamentadas internacionalmente'.

Com base neste princípio, 'o Ministério da Defesa, por razões de segurança facilmente compreensíveis, entende não dever adiantar qualquer pormenor relativo a concretas deslocações realizadas por altas individualidades do Estado, com recurso ao Falcon'.

A 7 de Maio, antes da cimeira em Bruxelas, Sócrates participou na cimeira luso-francesa, em Paris, onde se reuniu com o primeiro-ministro e o presidente da República, François Fillon e Nicolas Sarkozy.

PARLAMENTO FICA COM MILHAS

Os pontos ou milhas acumulados pelos deputados e funcionários nas deslocações oficiais ao estrangeiro passam a reverter exclusivamente para a aquisição de viagens oficiais do Parlamento. Este é um dos princípios fixados numa resolução da Assembleia da República, ontem publicada em Diário da República, no âmbito das alterações à atribuição de despesas de transporte e alojamento e de ajudas de custo aos deputados.

Ainda em resposta à actual crise, através de uma política de restrição orçamental, a mesma resolução determina que os deputados passam a viajar em económica, sempre que as viagens não durem mais de três horas e meia.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/forca-aerea-deixa-socrates-em-terra

2 de julho de 2010

Governo deixa fugir mil milhões de euros por ano em impostos

Desde 2005, mais de metade da perda de receita é por prescrição. Ao todo vale 3% do PIB.

O governo de José Sócrates anulou ou deixou prescrever um total de 5,3 mil milhões de euros em impostos desde 2006, inclusive, o equivalente a 3,2% do produto interno bruto a preços do ano passado. Deste valor, mais de metade (56% ou três mil milhões de euros) diz respeito a prescrições - dívidas cujo prazo de cobrança caducou de forma definitiva. Morosidade das decisões, leis que requerem processos muito complexos, acumulação de muitas e pequenas dívidas são algumas das causas apontadas pelos fiscalistas. Mas há outras.

A Conta Geral do Estado (CGE) relativa a 2009, publicada anteontem à noite, revela que o Fisco anulou dívidas fiscais no valor de 560,5 milhões de euros e declarou prescritos outros 572,6 milhões. Refere ainda que, no final de 2009, havia 14,2 mil milhões de euros por cobrar, um valor que está a descer lentamente desde 2006, mas que ainda assim daria, só por si, para limpar o défice público recorde registado no ano passado.

Os técnicos das Finanças, responsáveis pelo documento, explicam que a anulação de liquidações de impostos ocorre quando o Estado "detecta a existência de uma liquidação indevida, por iniciativa própria, através de processo gracioso ou por impugnação do devedor". Quando a razão é do contribuinte, o imposto em falta tem de ser anulado, integral ou parcialmente. Já a prescrição traduz-se num processo mais grave de perda fiscal: é definitivo e pelas piores razões. Este fenómeno ocorre maioritariamente no IVA, e ano após ano.

Os fiscalistas, no relatório para o estudo da política fiscal, apresentado em Outubro de 2009, tentam explicar as causas que levam às prescrições nos impostos: segundo eles, existe um bloqueamento nos processos de crime fiscal. Os sete especialistas de renome dizem que "a criminalização de tudo acaba por absorver os recursos do Ministério Público e dos tribunais com processos de montantes pouco significativos, parecendo preferível aplicar coimas adequadas e libertar aqueles departamentos para a investigação e punição das grandes fraudes". "A defesa de limiares baixos acaba por ser uma preciosa ajuda aos grandes defraudadores, dado o bloqueamento dos tribunais e o risco acrescido de prescrição", apontam. Apadrinham, por isso, uma ideia da procuradora Maria José Morgado que defende "a criação de um tribunal de pequena instância fiscal, com um processo simplificado, para julgar de forma rápida, num prazo máximo de 30 dias, a grande velocidade e em grande quantidade, este tipo de processos, sob pena de prescrição".

O prazo de prescrições das dívidas fiscais, que era de 20 anos, passou em 1991 para dez anos e em 1999, com a entrada em vigor da Lei Geral Tributária, passou para 8 anos. A expiração do prazo legal para cobrar dívidas costuma ser o principal motivo para a prescrição.

Mas há outras causas. Na CGE, as Finanças defendem que as dívidas fiscais também têm expirado por não existirem "quaisquer bens ou rendimentos por parte dos devedores ou responsáveis subsidiários que assegurem a possibilidade de cobrança coerciva"; devido a "novas formas de fraude e evasão com recurso à interposição de sociedades que não possuem qualquer património (...) e em que por isso existe logo de início a dificuldade/impossibilidade de cobrança coerciva dos impostos"; e porque são impostos devidos por empresas invisíveis "sem qualquer estrutura (imóveis, equipamentos...) que recorrem à subcontratação (outsourcing) para exercer a sua actividade". O governo lembra, ainda assim, que a ocorrência das prescrições é "inevitável e intrínseca a qualquer sistema fiscal".

Os montantes prescritos compõem a maioria das dívidas declaradas como prescritas em 2008 - já o haviam sido em anos anteriores - sem que contudo, tivessem sido eliminadas dos sistemas por escassez de recursos humanos.

Os impostos anulados e prescritos relativos a toda a primeira legislatura de Sócrates deverão ser até superiores, mas não existem dados disponíveis de 2005 inclusive para trás.

FONTE: http://www.ionline.pt/conteudo/67420-governo-deixa-fugir-mil-milhoes-euros-ano-em-impostos

Utente da saúde custa mais 37% a Sul do que a Norte

O Ministério da Saúde vai gastar, este ano, 735 euros com cada habitante do Norte e 1169 euros com os de Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja, uma diferença de 434 euros per capita por região, que corresponde a menos 557 milhões de euros para o Norte.

Confrontado pelo JN sobre os valores, o Ministério da Saúde limitou-se a responder que "a análise de qualquer eventual cálculo de financiamento per capita não pode deixar de ponderar as efectivas necessidades de saúde das populações".

Os números são públicos, constam da Lei do Orçamento de Estado de 2010 e do despacho do secretário de Estado da Saúde de 10 de Fevereiro que define a contratualização com os hospitais de gestão empresarial (EPE). Basta fazer as contas para perceber que a região de Lisboa e Vale do Tejo sai sempre a ganhar, embora o Norte tenha mais 32% de população e, nos últimos anos, os principais hospitais tenham registado melhor produtividade.

Somando as dotações directas do Orçamento de Estado, a contratualização com os hospitais EPE e com os hospitais SPA/PPP, a verba atribuída aos centros de histocompatibilidade do Norte e do Sul e os gastos com ADSE e outros subsistemas, a região de Lisboa e Vale do Tejo (com 2,8 milhões de habitantes) recebe 3,3 mil milhões de euros, enquanto a região Norte (com 3,7 milhões de habitantes) recebe 2,7 mil milhões de euros. Ou seja, no capítulo da saúde, o Governo investe mais 557 milhões de euros em Lisboa e Vale do Tejo do que no Norte.

As maiores disparidades estão no financiamento dos hospitais SPA/PPP (Serviço Público Administrativo/Parcerias Público Privadas). Os de Lisboa e Vale do Tejo recebem mais 186%.

A verba contratualizada com os hospitais EPE de Lisboa e Vale do Tejo (1,4 mil milhões de euros) é 19% superior à das instituições com o mesmo modelo de gestão do Norte (1,2 mil milhões). Para os EPE da região Centro foram contratualizados 694 milhões de euros, para os do Algarve 167 milhões de euros e para os do Alentejo 83 milhões de euros.

Mais caros e menos produtivos


Se compararmos os três principais hospitais sob a alçada da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e Centro Hospitalar de Lisboa Central) com os três principais da Administração Regional de Saúde do Norte (Hospital de S. João, Centro Hospitalar de Gaia-Espinho e Centro Hospitalar do Porto) encontramos também muitas divergências.

Em 2008 (os relatórios e contas de 2009 ainda não estão disponíveis), aqueles hospitais de Lisboa tinham mais camas (39%), mais profissionais (33%), recebiam mais verba do SNS (25%), tinham mais custos (39%), mas produziam menos do que os do Porto, realizando menos 24% de cirurgias.

FONTE: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1608281

Faltou distribuir 400 mil portáteis

Entregas falharam em todos os níveis de ensino. Alunos registaram-se, mas os computadores não chegaram. Governo não sabe de quem é a tutela.

Cerca de 400 mil computadores ficaram por entregar este ano lectivo a estudantes de todos os níveis de ensino, no âmbito do Plano Tecnológico da Educação (PTE). Além dos 250 mil Magalhães que o Governo já admitiu não terem sido entregues no 1º ciclo, também nos 2º e 3º ciclos e no secundário não houve um único portátil entregue.

'Foi um ano para esquecer, um ano muito complicado. Os alunos fizeram os registos para adquirir os portáteis, mas estiveram à espera até final do ano e não receberam nada', disse ao CM o presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Albino Almeida.

O CM tentou saber qual a explicação para a não entrega dos portáteis dos programas e.escola e e.escolinha, bem como se havia alguma previsão sobre quando serão entregues. Contactámos a assessoria do Ministério da Educação, colocámos as perguntas por e-mail e recebemos a seguinte resposta: 'Terá de perguntar ao Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações (MOPTC)'. Remetemos então as mesmas perguntas para a assessoria do MOPTC e a resposta foi: 'O assunto a que se refere deve ser tratado pelo Ministério da Educação'. Os ministérios envolvidos no Plano Tecnológico da Educação sacudiram ambos a água do capote.

Albino Almeida considera que 'será desastroso se em Setembro, no início do ano lectivo, os computadores não forem entregues'. 'O País investiu milhões no PTE e seria frustrar uma expectativa legítima', disse.

O dirigente da Confap defende que as suspeitas levantadas – que levaram mesmo à criação de uma comissão de inquérito parlamentar à actuação do Governo na Fundação para as Comunicações Móveis – tornaram o processo mais demorado.

'Não se pode ter o melhor de dois mundos. Ou o País quer as coisas em tempo útil ou então perde tempo em questões processuais. A suspeição que se levantou obrigou a respeitar todos os prazos e requisitos e os alunos é que perderam', disse.

ORÇAMENTO DO ESTADO EM ABRIL ATRASOU VERBAS

O Plano Tecnológico da Educação foi lançado em 2007 com o objectivo de colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica do ensino. Nos anos anteriores, segundo Albino Almeida, as verbas vinham das contrapartidas de 390 milhões de euros dadas pelas empresas de comunicações pela obtenção de licenças UMTS (comunicações móveis da 3ª geração). Este ano, o dinheiro vem do Orçamento do Estado. 'Só tivemos Orçamento em Abril e isso também atrasou tudo', afirmou.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/faltou-distribuir-400-mil-portateis

Parque Expo paga prémios ilegais

Gestores receberam, de 1998 a 2008, 1,56 milhões de euros indevidos.

A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) acusa a Parque Expo de ter pago indevidamente aos seus administradores, durante 11 anos, gratificações mensais e regalias adicionais, em seguros de vida e de saúde, no valor de 1,56 milhões de euros.

O relatório de actividades da IGF de 2009, a que o CM teve acesso, não revela o nome da empresa responsável pelo pagamento indevido aos seus gestores, mas a Conta Geral do Estado (CGE) de 2009 identifica a Parque Expo como sendo essa sociedade. Com base na auditoria da IGF, a CGE refere que os administradores da Parque Expo ganharam, 'desde 2000, uma gratificação mensal ilegítima, sem suporte legal' e tiveram um 'recebimento indevido, pelo menos desde 1998, de regalias adicionais, relativas a seguros de vida e de saúde'.

Para a IGF, 'os factos apurados poderão indiciar a prática continuada do crime de peculato e, desde Setembro de 2006, são também susceptíveis de configurar má gestão e incorrecta e ilegal utilização dos dinheiros públicos, passíveis de responsabilidade financeira sancionatória'. E recomendou 'à empresa que promovesse a recuperação dos valores recebidos indevidamente por cada administrador'.

Ontem, a Parque Expo deixou claro ao CM que 'o relatório final da IGF foi objecto de pedido de esclarecimentos do secretário de Estado de Tesouro e Finanças, pelo que não se coloca de momento qualquer actuação do conselho de administração'. Ou seja, a empresa, enquanto esta situação não for esclarecida, não pede a devolução das verbas aos seus ex-gestores.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/parque-expo-paga-premios-ilegais

1 de julho de 2010

Queiroz ganha 15 vezes mais que Cavaco

Fortuna: Seleccionador recebe 1,6 milhões por ano, enquanto o Chefe de Estado aufere 106 mil por ano.

Apesar de ter contrato até 2012, uma eventual rescisão custará à Federação 3,2 milhões de euros.

O seleccionador nacional, Carlos Queiroz, ganha mais num mês do que o mais alto representante do Estado português, Aníbal Cavaco Silva, recebe num ano.

Quando em 2008 assinou contrato com a Federação Portuguesa de Futebol por quatro anos, o até então adjunto de Alex Ferguson no Manchester United passou a ganhar por ano 1,6 milhões de euros (o que, dividindo por 14, dá 114 285 euros por mês), enquanto o Presidente da República tem um vencimento anual pouco acima dos 106 mil euros (7630 por mês). Este valor representa 15 vezes menos daquilo que o seleccionador Queiroz aufere.

Quando a comparação é feita com o primeiro-ministro José Sócrates a diferença é ainda maior, já que o chefe de Governo tem um rendimento mensal de 5400 euros (75 600 por ano).

Entre os 32 seleccionadores presentes no Mundial, o técnico português ocupa o oitavo lugar na lista dos mais bem pagos. Apesar de ser um ordenado elevado face à actual crise, o italiano Fabio Capello (seleccionador de Inglaterra que caiu nos oitavos-de-final) recebe anualmente 8,8 milhões de euros, seguido do italiano Marcello Lippi (três milhões) e do alemão Joachim Löw (2,5 milhões de euros).

A Federação Portuguesa de Futebol terá de pagar 3,2 milhões de euros a Carlos Queiroz se avançar para a rescisão de contrato. Apesar de o técnico estar vinculado à FPF até 2012, o Correio da Manhã sabe que Gilberto Madaíl, presidente da Federação, está desapontado com a prestação da selecção nacional no Mundial e pensa no ‘divórcio’.

CADA JOGADOR RECEBE 88 MIL EUROS

Cada um dos 23 internacionais portugueses que estiveram na África do Sul ganharam, em média, 88 400 euros desde o início da campanha, na Covilhã. Este valor provém da diária de 800 euros (o ordenado mínimo nacional é de 475 euros) que cada jogador recebeu pela participação no Campeonato do Mundo, desde o início do estágio ainda em Portugal (14 de Maio).

A este valor acresce os 50 mil euros de prémio atribuído pela Federação Portuguesa de Futebol pela chegada aos oitavos-de-final

da competição. Pedro Mendes, Coentrão, Daniel Fernandes,

Liedson, Eduardo e Miguel Veloso foram os totalistas de uma aventura que durou 48 dias.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/queiroz-ganha-15-vezes-mais-que-cavaco