18 de outubro de 2010

PRACE já cortava 120 organismos estatais

Em 2006, o Governo tinha um Programa de Reestruturação do Estado muito mais ambicioso nos cortes do que no OE 2011.

O ministro das Finanças anunciou que 50 organismos públicos estarão em 2011 sujeitos à fusão, reestruturação ou extinção, sendo esta uma medida orçamental com a qual o executivo espera poupar cem milhões de euros.

Trata-se, no entanto, de um segundo pacote do Executivo PS em matéria de cortes, uma vez que em Março de 2006 o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) já propunha o "corte" de 120 organismos. A comissão técnica do PRACE, presidida por João Bilhim, apontava para uma redução do número de organismos da Administração central de 414 para 294.

Este "desaparecimento" de 120 entidades resultava então de um saldo entre extinções, novos organismos e fusões. Na maioria dos casos é sugerida a criação de novas estruturas de maior dimensão, que passam a juntar as competências e, previsivelmente, a maior parte dos recursos, que actualmente estão em organismos que se propõe virem a ser extintos.

Os resultados do PRACE só foram muito parcialmente conseguidos uma vez que a despesa pública tem crescido todos os anos desde 2006 até aos dias de hoje.

O próprio João Bilhim admitiu, em entrevista ao Público de 5 de Maio deste ano, que estava " desiludido com os resultados".

O PRACE tinha como objectivo "permitir uma distribuição mais simétrica de recursos humanos e isso não foi conseguido. Ao ponto de hoje estarmos com o mesmo problema", dizia. Segundo Bilhim, o PRACE tinha como objectivo permitir uma distribuição mais simétrica de recursos humanos e isso não foi conseguido. Quando olho para o PRACE e quando ve- jo que este era um dos meus objectivos, tenho de reconhe- cer que não foi conseguido", diz.

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1688894&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%253A+DN-Economia+%2528DN+-+Economia%2529

João Proença: Governo aumenta desigualdades

A proposta de Orçamento do Estado para 2011 apresentada pelo Governo provoca: 1.º empobrecimento dos trabalhadores e da esmagadora maioria dos portugueses; 2.º aumento do desemprego e baixa da qualidade do emprego; 3.º fortes efeitos recessivos na economia; 4.º hipoteca o desenvolvimento do País; 5.º diminui a protecção social e a garantia de direitos sociais fundamentais aos cidadãos.

Como me dizia recentemente um jornalista estrangeiro, as pressões/"ordens" directas do sector financeiro ao Governo, ao Presidente da República, ao PSD são uma vergonha e não têm paralelo na Europa. As "explicações" do ministro das Finanças sobre o Orçamento mostram um futuro extremamente incerto e profundamente injusto. Parece que o cenário utilizado para as previsões das receitas não será o mesmo em que se baseia a projecção de "crescimento" e de outras variáveis macroeconómicas. E, por exemplo, ou as previsões sobre as exportações são mero exercício de fé, ou têm como perspectiva uma enorme redução dos salários.

Para "os mercados", ou seja, para o processo de agiotagem que nos sufoca, o problema da falta de rigor e de ausência de soluções para o crescimento e desenvolvimento do País não são preocu-pações. O que lhes interessa é verificar se existem medidas eficazes ("em nome do combate à cri- se que impõe sacrifícios a todos") que intensifiquem a exploração do povo, para que a acumulação da riqueza a favor dessa minoria de capitalistas agiotas e seus servidores continue.

Este Orçamento transporta consigo um duro aumento de impostos, mas quase exclusivamente para aqueles que já os pagam. E atinge, de forma dramática, as famílias com menos rendimentos. Onde está o combate à fraude e evasão fiscais, à economia paralela, às transferências financeiras em direcção aos paraísos fiscais, ou a tributação das grandes fortunas, dos valores das transacções em bolsa e dos produtos de luxo? Sobre isso apresentam-se umas medidazitas simbólicas, em nome de que os que têm essas práticas "também têm de ser solidários", sancionando-se a sua condição de privilegiados.

Quando, em 2009, se foi ao cofre do Estado buscar milhares de milhões de euros para tapar os buracos de grupos financeiros e económicos, o primeiro-ministro dizia que tudo seria controlado e pago até ao último cêntimo! Que grande mentira! Deram o dinheiro a grandes interesses privados, agravaram o défice e agora o povo que pague a factura.

Com este OE todos os trabalhadores da administração pública verão os salários reais reduzir, no mínimo, entre 3,2 % e 13,2%. Mas todos os trabalhadores estão a ver os seus salários a reduzir-se.

A maioria dos patrões estão a desenvolver, como reconhece a Organização Internacional do Trabalho, a maior campanha de redução da retribuição do trabalho que se observou na Europa e no Mundo, depois da II Guerra Mundial. Para isso, servem-se do desemprego, da precariedade no trabalho, do alongamento de horários de trabalho, do não pagamento de horas extra ou de outros direitos, do boicote ou esvaziamento da negociação colec- tiva, da redução brutal dos salários dos jovens trabalhadores ou dos desempregados no seu retorno ao trabalho.

Na proposta de OE nada sustenta o crescimento económico nem o desenvolvimento do País; não há orientações estratégicas nem medidas para impulsionar as actividades produtivas; não existe verdade, propostas concretas e factores de motivação para que os portugueses acreditem, se mobilizem e responsabilizem na resolução dos problemas colectivos; por outro lado, teremos quebras nos principais indicadores de desenvolvimento, que são o nível de ensino, de saúde, de segurança e justiça, de protecção social, de infraestruturas básicas.

Há uma certeza! A chantagem vai continuar! Ela só será travada quando a denúncia das injustiças, a dimensão do protesto e da exigência de novas políticas se tornarem dinâmica imparável.

Por tudo isso, é do interesse dos trabalhadores, do povo português, em particular das jovens gerações, e também uma questão de interesse nacional, realizarmos uma grande greve geral em 24 de Novembro.

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1688882&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%253A+DN-Economia+%2528DN+-+Economia%2529

14 de outubro de 2010

Ex-secretários do Orçamento dizem onde cortar no Estado

Fora dos grandes agregados de despesa também há margem para cortar nos gastos públicos.

Reduzir a frota automóvel, as viagens e os serviços de consultoria externa; racionalizar os espaços físicos onde habitam os serviços do Estado; extinguir ou fundir organismos públicos; eliminar municípios e freguesias; diminuir os protocolos e acordos com instituições privadas e, até, lançar um combate à corrupção dentro da administração pública. Estas são algumas das propostas avançadas por antigos secretários de Estado do Orçamento ao PÚBLICO para acabar com os desperdícios do Estado.

Manuela Arcanjo, que esteve encarregada do Orçamento durante o primeiro Governo de António Guterres, não tem dúvidas: "Devia haver uma actuação firme no sentido de um emagrecimento forte das estruturas do Estado, quer ao nível da administração pública, quer do sector empresarial do Estado, pois essas estruturas não têm parado de aumentar, bem como os seus cargos dirigentes."

Segundo Manuela Arcanjo, cada ministério deveria fazer uma inventariação de onde se pode cortar e são os próprios ministros que têm de ser obrigados a implementar essas medidas. "Não basta a força de pensamento do ministro das Finanças porque, senão, é como acontece agora: estão congeladas as entradas na função pública, mas depois aparece sempre um número mágico de pessoas que entram por outras vias".

A ex-ministra da Saúde no segundo Governo de Guterres opõe-se, contudo, ao corte indiscriminado. "Fala-se muito dos desperdícios do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas, na realidade, o número de que se fala é o mesmo há 15 anos", explica, salientando que "racionalizar a despesa em algumas áreas traduz-se em má qualidade na prestação dos serviços".

Para Manuela Arcanjo, "o desperdício maior do Estado é o desvio de dinheiros públicos por protocolos, acordos e parceiras com entidades privadas, que não têm uma justificação económica e social". A antiga secretária do Orçamento defende aqui um controlo apertado e vai mesmo mais longe, sugerindo "um combate à corrupção dentro da administração pública". Ainda assim, admite que nem a junção de todas estas medidas geraria uma poupança superior à que o Governo vai conseguir com as novas medidas de austeridade.

É também por esse motivo que João Carlos Silva, que sucedeu a Manuela Arcanjo como secretário do Orçamento no Governo de Guterres, vê menos margem de manobra para cortar na despesa. "Cerca de 90 por cento da despesa do Estado são despesas obrigatórias à luz da legislação existente: despesas com o SNS, salários, transferências sociais e juros da dívida pública", refere.

"Mesmo que cortássemos todas as despesas de funcionamento do Estado - carros, motoristas, deslocações, electricidade, telefone, papel - não seriam suficientes para as necessidades de ajustamento drástico que precisamos neste momento", defende. O advogado realça mesmo que "a extinção e fusão de organismos públicos, que tem de vir a ser feita, não se traduz em despedimentos e sim na transferência de pessoas para outros serviços, o que resulta numa poupança reduzida".

Manuel Baganha, que foi secretário de Estado do Orçamento no primeiro Governo de José Sócrates, considera que há outros itens onde é possível cortar, avançando, desde logo, com uma racionalização dos espaços físicos. "Há organismos com espaços subaproveitados e outros tão dispersos que se gasta dinheiro e tempo em deslocações", refere. O actual presidente do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social vai mais longe e aponta para uma reorganização administrativa, que passaria por uma redução do número de municípios e freguesias e, consequentemente, dos serviços públicos (como a Segurança Social) aí existentes.

Para Manuel Baganha, o Estado tem ainda de cortar nas viagens ao estrangeiro, nas ajudas de custo para esse fim e nos estudos a empresas de consultoria externas. Finalmente, há que proceder à racionalização do sector empresarial do Estado.

FONTE: http://jornal.publico.pt/noticia/14-10-2010/exsecretarios-do-orcamento-dizem-onde-cortar-no-estado-20401515.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+JornalPublico+%28P%C3%9ABLICO+-+Edi%C3%A7%C3%A3o+Impressa%29

Dívida da CP e Refer a alta velocidade

Financiamento: Empresas já devem cerca de 8,8 mil milhões de euros.

Empréstimos sucessivos garantem comboios a circular e carris. Dívida mais do que quadruplicou em 14 anos.

O endividamento do sector público ferroviário praticamente quadruplicou nos últimos 14 anos. As dívidas de cerca de 2,2 mil milhões de euros que a antiga empresa ferroviária nacional, a CP, registava em 1996, quando geria a operação, linhas e estações, estão agora perto dos nove mil milhões de euros, entre as duas empresas que resultaram da divisão, Refer (5,5 mil milhões) e a CP (3,3 mil milhões).

As empresas estão tão dependentes dos empréstimos para assegurar o funcionamento que tiveram dificuldades em aceitar os limites do endividamento impostos este ano pelo Governo.

A ‘grande CP’, que em 1996 empregava cerca de 13 mil pessoas, foi dividida para permitir o aparecimento de operadores privados (como a Fertagus e a Takargo), ou seja, para tornar independente o ‘dono’ da linha e poder alugá-la a privados, como queria Bruxelas. Em 2009, as duas empresas empregavam 6800 pessoas.

Os elevados níveis de endividamento das empresas acabam por exigir que o Estado dê garantias de pagamento às instituições de crédito, sempre que está em causa um novo empréstimo. Em 2009, o stock de garantias concedidas à CP fixava-se em 1,2 mil milhões de euros, e o da Refer atingia os 3,6 mil milhões de euros.

O sector ferroviário é caracterizado por pesados investimentos, quer na rede de linhas, quer em material circulante, mas presta um serviço público aos cidadãos, pelo que o Estado acaba sempre por estar envolvido. Estes contratos entre o Estado e os operadores têm sido adiados em Portugal, o que leva a que as empresas vivam dependentes das transferências anuais do Orçamento do Estado.

DEPUTADOS GANHAM MENOS QUE QUADROS

Há quadros nas empresas públicas, nomeadamente na Refer e na CP, que ganham mais do que deputados. Aliás, ganham mais do que os próprios presidentes a quem têm de dar contas (ver infografia).

Estas situações correspondem a topos de carreira só alcançáveis por nomeação, e que uma política antiga de remunerações acabou por tornar numa realidade distorcida, apurou o Correio da Manhã junto de fonte do sector ferroviário.

A questão das remunerações do sector empresarial do Estado foi recentemente levantada pelo PSD, numa conjuntura em que a ordem é "cortar". Sobretudo depois de, como avançou o CM em Junho, se concluir que as empresas públicas têm em média 60 cargos de chefia com um ordenado médio de 6316 euros (entre remunerações mensais e despesas de representação).

Também o elevado número de chefias está a ser questionado pelo PSD, que já enviou um requerimento ao Ministério das Obras Públicas solicitando que este esclareça se é sua intenção reduzir as chefias. Por seu turno, o Tribunal de Contas tem questionado o elevado número de subsídios atribuídos nas empresas públicas de transportes, alguns dos quais pagos sem que haja justificação. O organismo liderado por Oliveira Martins já alertou mesmo para a necessidade de estas situações serem revistas.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/divida-da-cp-e-refer-a-alta-velocidade221925727

10 ajustes directos do Estado foram apagados da Net

Eliminados contratos com valores superiores a 2 milhões e seiscentos mil euros, que tinham sido contestados nos últimos dias.

Desapareceram dados de vários contratos públicos do site Governamental Base. Ao todo são dez ajustes directos cuja informação foi completamente eliminada e que totalizam um valor de mais de dois milhões e seiscentos mil euros. O DN teve acesso aos dados eliminados, que incluem os contratos estabelecidos entre o Turismo dos Açores e a empresa New Seven Wonders, que nos últimos dias têm sido alvo de polémica.

Nos dez contratos atingidos por este "apagão", aquele que envolve um valor mais elevado (1,55 milhões de euros) foi estabelecido entre a Associação de Turismo dos Açores e a New Seven Wonders para que esta empresa realizasse o evento "As Sete Maravilhas Naturais de Portugal".

Quem desvaloriza a questão é Cristina Ávila, responsável da Associação de Turismo dos Açores (ATA), que acredita "estar-se a fazer uma tempestade no copo de água", pois os dados foram eliminados devido a "irregularidades a nível de calendários de contratos". Cristina Ávila diz que a situação ainda deve ser hoje regularizada após serem feitas "rectificações".

Porém, ontem, à hora de fecho desta edição, os ajustes directos continuavam ausentes do portal, algo que segundo a responsável segue os trâmites legais, pois foi pedida autorização para a retirada dos dados. Ao que o DN apurou, há de facto, na legislação, margem para realizar ajustes, voltando depois os contratos à Internet.

Terá sido então, segundo as palavras dos responsáveis da ATA, mera coincidência o facto dos contratos desaparecerem depois de terem sido contestados publicamente os elevados valores gastos pelo organismo.

Os dados eliminados não se limitam, porém, ao evento das "Sete Maravilhas Naturais de Portugal". Na lista de "desaparecimentos" está também o contrato de uma festa realizada pela Associação do Turismo a propósito da última Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), no valor de 196 mil euros. Esta "Festa Açores" tratou-se, como dizia nos dados que foram apagados, de uma "disco party, com a participação de cerca de 750 pessoas (convidados), integrando welcome drink, cocktail dinattoire e bar aberto", realizada no "Urban Beach".

Nos contratos que a Associação de Turismo dos Açores retirou para "rectificar" está também um ajuste directo que ronda os 200 mil euros e teve como objectivo a promoção da região na área de Lisboa durante a BTL.

A 'Wikileaks portuguesa'

Depois da opinião pública conhecer o site "Base", têm sido cada vez mais as informações sobre despesas públicas questionáveis. Além da comunicação social, as redes sociais estão a assumir o papel de whatch dog. Exemplo disso são as denúncias do blogue "31 da Sarrafada". Como disse ao DN um dos membros do '31', Fernando Fonseca , - que já colocou a circular um vídeo com estes desaparecimentos de contratos públicos na Internet - o blogue "está a tornar-se numa Wikileaks à portuguesa", uma vez que tem vindo a chamar a atenção da comunicação social para gastos suspeitos do Estado. Depois da denúncia de um jantar da ANACOM no valor de 150 mil euros, ontem o blogue voltou à carga a denunciar um livro encomendado pela autarquia de Trancoso - no valor de 44 mil euros - do qual não há, para já, rasto.

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1685382&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%253A+DN-Economia+%2528DN+-+Economia%2529

13 de outubro de 2010

Desaparecem contratos da base de dados do Governo

O PSD denunciou esta quarta-feira que nos últimos dias desapareceram contratos da base de dados do Governo sobre contratação pública e exigiu que o Executivo preste explicações sobre isso com urgência.

Em causa está o portal do Governo www.base.gov.pt, cuja "gestão é assegurada, conjuntamente, pelo Instituto da Construção e do Imobiliário (InCI) e pela Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP)".

“Veio referido hoje até no Twitter, no Facebook, na opinião publicada, e nós já fomos confirmar: desapareceram contratos relativamente às Sete Maravilhas, que tinha sido feito um patrocínio por parte do Governo de quase um milhão e cem mil euros, uma festa na Bolsa de Lisboa de 196 mil euros também desapareceu da base de dados da contratação pública", apontou o deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Luís Menezes, que exige saber o que aconteceu.

"O que nós queremos é esclarecimentos. Ou seja, queremos perceber se foi um lapso, se há correcção a estes valores ou se estes valores pura e simplesmente desapareceram porque se pessoas querem esconder os gastos que andaram a fazer por terem sido supérfluos", frisou.

O PSD exige que o Governo preste esses esclarecimentos "com urgência" e vai apresentar um requerimento no Parlamento nesse sentido, adiantou.

Luís Menezes assinalou que na última semana "houve um escrutínio, quer por parte da opinião publicada, quer por parte dos cidadãos" ao portal sobre contratação pública e houve contratos considerados "gastos supérfluos ou, pelo menos, questionáveis em função da missão de cada uma das entidades que fazia esse tipo de adjudicações".

O próprio PSD, na sexta feira, dirigiu uma pergunta ao primeiro ministro, José Sócrates, sobre um jantar de aniversário Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) cujas despesas totalizaram "cerca de 150 mil euros", baseando-se na informação do portal do Governo sobre contratação pública.

Os sociais-democratas consideram "estranho" que "dois ou três dias" depois desse "escrutínio" público, "comecem a desaparecer contratos que deviam estar naquela base de dados", disse Luís Menezes.

O portal do Governo, "que foi feito para dar transparência à contratação pública", mostra ser "tudo menos transparente" e "perde toda a credibilidade", considerou.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/desaparecem-contratos-da-base-de-dados-do-governo

12 de outubro de 2010

GNR mandou rebocar carros e não os entregou

Um habitante de Alijó acusa a GNR local de "abuso de poder" por lhe ter mandado rebocar dois carros estacionados legalmente à porta de casa, no passado mês de Junho. Avançou com o caso para tribunal. Quase quatro meses depois, ainda não os recuperou.

António Monteiro, 61 anos, contou, ao JN, que na noite de 17 de Junho deste ano deixou aparcados em local permitido, junto ao passeio da sua moradia, na Avenida 25 de Abril, sentido Alijó-Favaios, dois automóveis ligeiros de passageiros: um Volkswagen Polo e um Fiat Punto. O primeiro é propriedade do genro e o segundo pertence ao filho. Ambos lhes tinham sido emprestados há vários meses, no sentido que deles fruísse como bem entendesse.

Quando na manhã seguinte saiu de casa, cerca das 9 horas, não encontrou as duas viaturas. Cuidou que os tivessem roubado ou até que os tivessem apreendido como "penhora por eventual multa". Por isso foi logo falar com o seu advogado, que nesse mesmo dia apresentou uma queixa no Ministério Público de Alijó, pedindo a abertura de inquérito e respectiva investigação para apurar a identidade dos responsáveis pela situação.

Só que, entretanto, por investigação pessoal, António Monteiro conseguiu saber que afinal fora a GNR a mandar rebocar os dois carros. Na posse destes dados, o advogado enviou nova missiva ao Ministério Público, dando conta de que afinal os veículos não tinham sido roubados mas removidos por ordem da GNR. A justificação era a passagem de "um veículo especial, de dimensões extraordinariamente desajustadas à circulação rodoviária", que "transportava uma cuba para uma adega da Real Companhia Velha, na Granja, Alijó".

Na nova comunicação ao Ministério Público, o queixoso sublinhou que o militar, ou militares, da GNR que ordenou a remoção dos carros o fez com "manifesto abuso de poder, previsto e punível pelo artigo 382º do Código Penal". Daí que tenha pedido ao Ministério Público para ser indemnizado. "Alguém vai ter de pagar os prejuízos que estou a ter. Não sei quem, mas terá de ser alguém. Lá terá de ser o Estado, não é?"

Considera "inédita e rocambolesca" a situação em que agora está envolvido, pondo mesmo em causa o Ministério Público, acusando-o de estar "conivente com a GNR", tal a demora em resolver o caso. "É inadmissível, no século em que nos encontramos, acontecer uma coisa destas", reiterou.

FONTE: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1682596

11 de outubro de 2010

Preservativos entopem esgotos

Após os múltiplos incidentes que marcaram a construção das instalações para os Jogos da Commonwealth, a decorrer em Nova Deli, surge um novo problema, desta feita causado pelos atletas.

Estes despejaram, em apenas uma semana, milhares de preservativos usados nas sanitas, ameaçando entupir os esgotos. Perante tal pujança atlética, apetece dizer que boa parte da competição dos jogos está a decorrer... fora de campo.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/insolito/preservativos-entopem-esgotos

9 de outubro de 2010

Spray para aumentar os seios

Surpreendido? Nós também. Mas, segundo o jornal Daily Mail, chegou ao mercado um produto que promete revolucionar o mercado da estética feminina... um spray que aumenta o volume dos seios.

O Boob Job é apresentado como um spray inovador, que promete revolucionar o mercado da estética feminina. De acordo com o fabricante, as mulheres já não têm de se expor a cirurgias dolorosas e, por vezes, ineficazes para aumentarem os seios. A marca garante que, com o seu mais recente produto, as mulheres podem aumentar os seios até 118 milímetros.

No entanto, a notícia está envolta numa enorme polémica. Segundo um cirurgião consultado pelo Daily Mail , é altamente improvável que o produto funcione. "Os fabricantes não dizem os ingredientes exatos do produto nem os testes que fizeram. É preciso uma análise completa, pois pode acabar por prejudicar a pele e os seios".

Já um representante do fabricante disse: "Nós queríamos oferecer uma alternativa mais barata e menos dolorosa para substituir a cirurgia plástica". Segundo o jornal britânico, o produto contém substâncias naturais que aumentam o número de células de gordura nos seios, pelo que não é prejudicial à saúde das mulheres.

Prejudicial ou não, o Boob Job já terá conquistado várias mulheres britânicas, entre elas as celebridades Scarlett Johansson, Victoria Beckham e Kelly Brook.

FONTE: http://aeiou.expresso.pt/spray-para-aumentar-os-seios=f607587

8 de outubro de 2010

Governo contratou KGA por 330 mil euros no dia do PEC II

Agência internacional foi contratada para ajudar Portugal junto dos mercados financeiros. Data por esclarecer: contrato é de Maio, mas as primeiras notícias são de Fevereiro.

Em plena campanha pró-PEC III, o Governo continua a recorrer aos préstimos da Kreab Gavin Anderson (KGA) para ajudar a imagem do País junto dos mercados financeiros, garantiu ao DN fonte oficial do Ministério da Economia. O contrato com a empresa multinacional - até agora envolto em sigilo - custou aos cofres do Estado 330 mil euros.

Para já, porém, o contrato não foi ainda (como exige a lei) publicado no site governamental Base - que publicita todos os contratos públicos.

Será uma questão de dias, alega fonte oficial do Ministério da Economia: "Ainda não consta [do site] porque aguarda a certificação da PME Investimentos [o organismo que contratou pelo Estado a agência] por parte da Imprensa Nacional-Casa da Moeda."

Ainda assim, restam contornos menos claros na celebração do contrato. Desde logo, porque desde Fevereiro surgem na imprensa notícias da colaboração da Kreab Gavin Anderson com o Governo, tendo sido, inclusive, referido que a KGA aconselhou o Executivo a atrasar as medidas do PEC I para que a imagem do País não fosse colada à da Grécia.

Porém, segundo dados fornecidos ontem pelo Governo ao DN, o contrato com a KGA só foi assinado quase três meses depois, precisamente no dia em que foi acordado o PEC II com Pedro Passos Coelho, a 13 de Maio. O que aconteceu nestes três meses é, porém, desconhecido.

O mais visível da campanha internacional do Executivo de José Sócrates têm sido as recentes aparições dos governantes portugueses em órgãos de dimensão mundial como o New York Times, a CNN ou a Bloomberg. No entanto, o DN apurou junto de fonte ligada à empresa que a função mais relevante da KGA não passa pelos media, mas sim pelos "bastidores". Isto é: pelo lobbying.

Na página da Internet da própria empresa percebe-se que é esse o seu palco privilegiado. Sendo uma multinacional de "comunicação financeira, empresarial e public affairs", como se pode ler, não se trata de uma agência de comunicação tradicional.

Já o Governo, justifica o contrato com o "contexto das alterações dos mercados financeiros e com impactos significativos na deterioração das condições de financiamentos das instituições de crédito e das empresas".

Para o Executivo de José Sócrates, esta conjuntura tornou "imperioso e urgente assegurar uma estratégia eficiente de comunicação juntos dos principais stakeholders internacionais que afectam as decisões de financiamento da economia portuguesa e das instituições de crédito a operar em Portugal". É aí que entra a KGA, que no fundo é paga para fazer lobbying junto dos agentes financeiros, como as malfadadas agências de rating.

Questionado sobre o porquê da escolha da KGA, o ministério tutelado por Vieira da Silva explicou que esta é uma "empresa de indiscutível reputação no sector."

Entre o PEC II e o PEC III, tempo em que o contrato esteve já em vigor, a imagem de Portugal teve altos e baixos - nesta ordem. Neste momento, a acção da KGA passará por credibilizar o Governo junto dos mercados financeiros, tendo agora como trunfo medidas ainda mais austeras do que as de Maio.

A KGA pode assim acenar aos agentes financeiros com sinais como a subida de impostos, cortes de salários na função pública ou os cortes nas prestações sociais.

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1680677&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%253A+DN-Economia+%2528DN+-+Economia%2529