29 de março de 2010

Cada português já deve 18 mil euros ao estrangeiro

Empréstimos à banca estrangeira representam 111,7% da riqueza do País

"O País consome mais do que produz" e "está a viver à custa das poupanças dos estrangeiros", pedindo emprestado, alertam os economistas. Resultado: em média, cada português deve 18,3 mil euros aos banqueiros estrangeiros, mais 1750 euros que há um ano. Ou, fazendo outras contas, só para "limpar" a dívida, os portugueses necessitavam de trabalhar um ano e 42 dias.

"Portugal está penhorado ao estrangeiro." A frase, dramática, ilustra o endividamento das famílias, empresas e Estado ao longo dos últimos anos. A dívida líquida (descontando a dívida dos estrangeiros a Portugal) contraída aos grandes bancos europeus excede a riqueza do País (PIB) em 11,7%, atingindo uns impressionantes 182,7 mil milhões de euros, um agravamento anual de 9,5%.

Na verdade, o total de empréstimos contraídos é muito maior: a chamada "dívida bruta" é o triplo do PIB, o equivalente a três anos de trabalho. Como foi possível chegar a "este estado de coisas"? Baixas taxas de juro e o "crédito à descrição" pela banca levaram as famílias e empresas a enveredar por despesas crescentes.

Em média, o total dos empréstimos contraídos pelos consumidores à banca - para pagar casas e carros - significa 135% do salário anual, já descontados os impostos. As empresas nacionais são das mais endividadas da OCDE e isto explica porque o investimento não descola.

Sem depósitos em quantidades suficientes, a banca portuguesa teve de pedir créditos aos banqueiros internacionais para satisfazer a voragem pelo crédito. Estes empréstimos externos chegaram a atingir os 57% do PIB em 2007, mas, de então para cá, os bancos nacionais reduziram as posições junto dos estrangeiros (ver gráfico). O que é explicado pela crise: menos salários, mais desemprego e altos endividamentos levaram a menos apetite pelo dinheiro, e a própria banca, ameaçada pelo peso do endividamento, começou a restringir o crédito concedido às famílias.

Também o Estado é culpado pelo forte acréscimo no endividamento externo. Os sucessivos défices orçamentais - no ano passado as despesas foram superiores às receitas de impostos em 9,4% do PIB - obrigaram o Tesouro a emitir milhares de milhões de euros em títulos subscritos pelos grandes bancos estrangeiros, como o Fortis ou o ABN. Resultado, em 2009 a dívida estatal colocada no estrangeiro superou os 55,5% do PIB (um peso de 90,7 mil milhões de euros), bem acima dos 49% verificados em 2008. Esta é uma das facturas - em mais despesas com desemprego, apoios à actividade e menos impostos - pagas por conta da crise, que levou a economia a contrair 2,7% no ano passado.

Na ressaca da crise, as famílias já estão a moderar o consumo, principalmente em bens duradouros - a compra de carros, por exemplo, caiu em 2009. Com menos importações, uma vez que as empresas também não investem, e com a balança de rendimentos a desacelerar, o défice externo caiu para os 9,4% do PIB no ano passado, contra o pico de 10,4% atingido em 2008.

27 de março de 2010

CLARA FERREIRA ALVES (artigo demolidor)

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram (Olá! camarada Sócrates…Olá! Armando Vara…), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" (Olá! Batista Bastos… ainda és comunista?!) na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.


Este é o maior fracasso da democracia portuguesa


Clara Ferreira Alves - "Expresso"

26 de março de 2010

Vara recebeu 520 mil euros em 2009

26 Março 2010 - 19h51

BCP

Vara recebeu 520 mil euros em 2009


Armando Vara, vice-presidente do BCP com mandato suspenso, recebeu 520 mil euros em 2009 em função do cargo que ocupa no banco. Os números constam do acordo com o Relatório de Governo das Sociedades Cotadas hoje divulgado que apontam para 3,6 milhões de euros para pagamento das remunerações fixas da administração.

Só Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP, tem um salário anual superior, de 650 mil euros. Em terceiro lugar fica Paulo Macedo, antigo director-geral dos impostos, que aufere também 520 mil euros.

O banco decidiu não pagar qualquer prémio aos seus administradores este ano.

Armando Vara suspendeu o mandato quando se viu envolvido no caso Face Oculta mas continua a auferir o salário mensal de 34 mil euros.

23 de março de 2010

Governo: Fornecedora oficial de flores a José Sócrates

Florista fazia 300 € por mês

Nada Mais Nada Menos funciona num quarto andar da freguesia de São José, em Lisboa.

A empresa de arranjos florais Nada Mais Nada Menos contratada pelo Estado por 63 mil euros para fornecer flores à residência oficial do primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou desde que abriu portas, em Outubro de 2008, um volume de negócios trimestral no valor de 900 euros, o que dá 300 euros por mês.

A empresa está matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, mas não tem site na internet nem funciona como estabelecimento comercial público. Segundo apurou o CM, a empresa está registada num quarto andar na freguesia de São José, em Lisboa, no mesmo endereço que serve de residência à proprietária, Maria Margarida Subtil.

A Nada Mais Nada Menos foi criada co-mo empresa unipessoal por quotas, tendo como objecto a consultoria e serviços de decoração e design, serviços de arranjos florais; comércio, importação e exportação de flores, plantas e artigos de decoração; aluguer de plantas ornamentais.

A 22 de Janeiro passado, a Nada Mais Nada Menos celebrou um contrato por ajuste directo com a Secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros para o fornecimento de flores a São Bento nos próximos três anos, por 63 mil euros, o mesmo que dizer 57,5 euros por dia.

Maria Margarida recusou prestar declarações ao CM, alegando estar proibida, pelo contrato que assinou com o Governo, de falar sobre os serviços que presta.

20 de março de 2010

Figo recebeu mais que Baía, Costa e Pinto

20 Março 2010 - 00h30

Face Oculta

Figo recebeu mais que Baía, Costa e Pinto

Figo ganhou 350 mil euros com o Taguspark. PT pagou 300 mil a Rui Costa, Vítor Baía e Sá Pinto.

O contrato de Luís Figo com o Taguspark, negociado por Rui Pedro Soares enquanto administrador não executivo daquele parque tecnológico, foi mais caro do que a soma dos contratos de Rui Costa, Vítor Baía e Sá Pinto com a PT, negociados por Rui Pedro Soares como administrador da PT. Enquanto Figo cobrou ao Taguspark 350 mil euros no primeiro ano de vigência do contrato, Rui Costa, Vítor Baía e Sá Pinto, segundo apurou o Correio da Manhã, cobraram à PT como 'embaixadores do desporto escolar', no primeiro ano, um total de quase 300 mil euros.

O valor do contrato de Rui Costa e de Vítor Baía é, segundo fontes conhecedoras do processo, semelhante: no primeiro ano, cada uma destas ex-estrelas da selecção portuguesa de futebol recebeu da PT quase 100 mil euros. Já Sá Pinto ganhou, por igual período, um montante na ordem dos 90 mil euros.

A comparação entre os contratos de Figo, Rui Costa, Vítor Baía e Sá Pinto é um dos focos principais da investigação no ‘caso Figo’, que está a ser dirigida pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

No essencial, pretende-se apurar se há diferenças entre os contratos que permitam estabelecer uma eventual ligação entre a assinatura do contrato com Figo e o encontro deste ex-jogador com José Sócrates no último dia da campanha eleitoral para as legislativas de 2009. No âmbito deste processo, Rui Pedro Soares foi constituído arguido. E, na próxima semana, continuam as audições.

Para já, a PT deixa claro que 'não divulga o início nem o fim de cada contrato, respeitando integralmente o compromisso de confidencialidade que eles nos merecem e a que estamos contratualmente obrigados'. Logo, não revela os valores.

Mesmo assim, a empresa garante que a acção ‘A PT com o desporto escolar’ e os contratos com aqueles jogadores 'como embaixadores do desporto escolar PT', foram aprovados pela comissão executiva da companhia.

PORMENORES

CONTRATO COM O TAGUS

Figo assinou o contrato com o Taguspark em 1 de Agosto de 2009. O contrato podia ser prorrogado por dois anos: 200 mil euros por ano. Ao todo, estavam em causa 750 mil euros.

PROMOÇÃO NO EXTERIOR

O contrato de Figo tem em vista a participação do ex-jogador na promoção internacional do Taguspark. Até Agosto de 2010, ocorre a Expo Xangai e o Campeonato do Mundo de Futebol, na África do Sul.

ISALTINO REAGE

Isaltino Morais, líder da Câmara de Oeiras (principal accionista do Taguspark), já disse que é contra a prorrogação do contrato de Figo por dois anos.

OUVIDOS

Américo Thomati e João Carlos Silva, gestores do Tagus, deverão ser ouvidos na próxima semana.

EX-ESTRELAS JÁ FORAM À ESCOLA

A PT garante que Rui Costa, Vítor Baía e Sá Pinto já visitaram, como 'embaixadoresdo desporto escolar PT, dezenas de escolas do 2º, 3º Ciclo e Ensino Secundário'.

A empresa frisa que os ex-jogadores andaram a distribuir pelos alunos bilhetes para vários jogos de futebol e a dar autógrafos.

Com este projecto, a PT diz que pretende 'promover a prática desportiva junto dos mais novos e incentivar a adopção de um estilo d e vida saudável'.

OFERECIA PRENDAS VALIOSAS

Uma fortuna considerável, controlada por empresas sediadas em paraísos fiscais, foi o que o Ministério Público e a Polícia Judiciária de Aveiro encontraram na investigação a Manuel Godinho. O sucateiro é dono da Administrações Prediais Godinho, controlada pela Summerline Investements Limited, sediada no Luxemburgo, e foi através dessa empresa que Godinho movimentou a maioria das grandes verbas.

A PJ apurou que Paulo Costa, também sucateiro, comprava imóveis e vendia-os depois à Prediais Godinho. O objectivo era ludibriar as autoridades fiscais, já que a empresa seria, presumivelmente, uma imobiliária. Diz o MP que quem dava o dinheiro a Costa para comprar os imóveis era Godinho, certo de que depois aquele lhe voltaria para as mãos.

As autoridades detectaram também prendas valiosas. Os relógios e as peças de porcelana eram prática corrente no Natal e o MP considera que as ofertas configuram o crime de corrupção. Os arguidos desmentem-no e José Penedos, por exemplo, no recurso que interpôs para a Relação, considerou mesmo que as ofertas eram mera cortesia. Garantiu nunca se ter sentido pressionado e explicou que todos os administradores as recebiam.

TOPOS DE GAMA APREENDIDOS


Manuel Godinho ofereceu a pelo menos dois arguidos dois automóveis topo de gama. Os carros foram apreendidos pela Polícia Judiciária de Aveiro e estão neste momento à guarda do tribunal. Paiva Nunes, da EDP Imobiliária, recebeu um Mercedes SL500 e António Costa, da Petrogal, foi presenteado com outro automóvel de igual marca. Os carros pagavam favores.

Aluno esfaqueado na escola

20 Março 2010 - 00h30

Bullying

Aluno esfaqueado na escola


Jovem de 16 anos foi internado no Hospital de Santa Maria em estado grave. Agressor foi detido.

Um aluno de 16 anos do 8º ano da Escola Secundária Braamcamp Freire, na Pontinha (Odivelas), foi ontem brutalmente esfaqueado por um colega, entretanto detido pela PSP de Loures. Gladis estava ontem em estado grave no Hospital de Santa Maria. É a mais recente vítima da violência escolar, tema que ontem levou a ministra da Educação, Isabel Alçada, à Assembleia da República, convocada para um debate de urgência.

O confronto ocorreu à porta da escola da Pontinha, cerca das 13h00. Uma aluna, que pediu para não ser identificada, disse que ninguém pensava que tal acontecesse porque os jovens eram amigos. 'Ainda na quinta-feira estavam os dois aqui a falar', acrescentou. Na escola, um outro aluno descreveu o momento: 'Estavam os dois aqui fora à porta da escola quando foi usada uma faca com serrilha.'

O esfaqueamento terá acontecido depois de uma acesa discussão entre ambos, com troca de insultos. Rapidamente se juntou um grupo de jovens em redor dos envolvidos no confronto.

Gladis terá fugido a sangrar em direcção do Centro de Saúde da Pontinha, onde foi socorrido. Ontem, ao final da tarde, ainda eram visíveis à entrada da escola vestígios de sangue. O agressor, também de 16 anos, terá fugido mas uma hora depois foi detido por agentes da Polícia nas imediações da escola, revelou fonte da PSP de Loures.

O agressor desferiu sucessivos golpes na barriga do aluno, que foi tranferido de ambulância do Regimento de Sapadores da Pontinha para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Os colegas dizem que o Gladis era conhecido na escola por ser o cantor rapper Derry Fost, cujas músicas estão em vários sites da Internet.

A direcção da escola não prestou qualquer esclarecimento sobre o duelo de sangue ocorrido no portão da escola, que conheceu outros actos de violência num passado recente.

A violência à porta e no interior da escola leva a que ninguém queira assumir publicamente o medo que se vive na Pontinha. A mãe de um aluna contou que todos os dias vem à escola para levar e trazer a filha, de 14 anos.

Uma professora, que pediu o anonimato, alertou para o facto de os alunos mais problemáticos serem os mais novos, de 14 e 16 anos. A professora considera que, perante os sucessivos casos, os alunos deveriam ser revistados para não levarem armas para as aulas.

Recorde-se que na terça-feira, na Escola Básica 2,3 Almeida Garrett, em Alfragide (Amadora), outro aluno de 16 anos foi esfaqueado por um de 14 anos.

FAMÍLIA ACUSA PROFESSORA DE AGRESSÃO

A família da criança de 10 anos que mordeu e agrediu uma professora na escola de Cimo de Vila, em Melres, Gondomar, anteontem à tarde, acusa a professora de ter molestado a criança, o que provocou a fúria da menina. 'Ela é muito nervosa e quando a professora lhe deu um estalo, ela defendeu-se e não conseguiu parar', contou ao CM Ângela Nogueira, a mãe da aluna. A menor já se mostrou arrependida pelas agressões e enviou um pedido de desculpa a todos os colegas e professores. 'Nunca lhe bati. Chamei-lhe à atenção por três vezes por estar a escrever na mesa. Quando a mandei limpar, ela explodiu. Mordeu-me, agrediu-me e eu desmaiei', explicou ontem ao CM a professora, Alzira Laxado.

PORMENORES

PROJECTO DO CDS-PP

O Parlamento debate na próxima sexta-feira um projecto de lei do CDS-PP para rever o Estatuto do Aluno, num agendamento potestativo.

BE DEFENDE EQUIPAS

O Bloco de Esquerda defendeu na Assembleia a introdução nas escolas de equipas multidisciplinares, redução do número de alunos por turma e aumento do número de auxiliares.

REFORÇAR AUXILIARES

A Oposição quer que o Governo aumente o número de auxiliares, para corresponder às necessidades reais, contribuindo para aumentar a segurança nos estabelecimentos.

APOIAR VÍTIMAS É PRIORIDADE

A Associação Nacional de Professores congratulou-se com a intenção de distinguir faltas justificadas e injustificadas mas lembrou que o mais importante é prevenir a violência nas escolas. João Grancho considera imperativo que se discuta o reforço do mecanismo de actuação das escolas e o acompanhamento de alunos vítimas de violência.

FNE DÁ APOIO A NOVA MEDIDA

João Dias da Silva, líder da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), considerou positiva a distinção anunciada entre faltas. 'Era uma situação que contribuía para a diminuição da importância da responsabilidade dos alunos relativamente à sua obrigação de assiduidade', afirmou, defendendo ainda que as famílias sejam mais responsabilizadas.

PAIS DE LEANDRO PROCESSAM ESCOLA

Os pais de Leandro, a tia e o primo do menino que se atirou ao rio Tua farto de ser agredido pelos colegas da escola, foram ontem ouvidos pelo inspector-geral da Educação, no âmbito do inquérito à morte da criança de 12 anos. No final, o responsável só disse que a conclusão do inquérito está 'para breve' mas ainda irá ouvir mais pessoas.

A família de Leandro vai processar a escola. 'Queremos tirar dali aqueles incompetentes. Vamos até ao fim', disse a mãe de Leandro, Amália Nunes. A 25, o casal é ouvido pelo Ministério Público.

REGIME DE FALTAS ALTERADO

As faltas justificadas e injustificadas vão passar a ser diferenciadas no novo Estatuto do Aluno, que será apresentado pelo Ministério da Educação até ao final do mês. A decisão de alterar o regime de faltas foi anunciado pela ministra Isabel Alçada, que ontem esteve no Parlamento num debate de urgência convocado pelo CDS para discutir a violência escolar.

'Serão introduzidas alterações ao regime de faltas, com diferenciação entre faltas justificadas e injustificadas', afirmou Isabel Alçada, acrescentando que a revisão do estatuto visa 'reforçar a intervenção preventiva das escolas em casos de violência ou indisciplina'.

O Presidente da República, numa visita ao Sport Grupo Sacavenense, que comemora o 100º aniversário, congratulou-se pela revisão do estatuto. 'Lembro-me do debate que foi estabelecido à volta do estatuto e congratulo-me com o facto de agora se ter chegado à conclusão de que é preciso revê-lo', afirmou Cavaco Silva, sublinhando que 'é necessário fazer--se alguma coisa para combater a violência escolar'. Os deputados do CDS não deixaram de reagir à ministra. 'É bom saber que acolhem as ideias do CDS nestas matérias', afirmou o deputado José Manuel Rodrigues.

AUXILIAR DE EDUCAÇÃO AGREDIDA POR ALUNO DE 13 ANOS E FAMILIARES

Uma auxiliar de educação da escola do 1º ciclo de Vale Mansos, Coruche, com a função de vigilante no transporte escolar, foi agredida por um aluno de 13 anos e familiares.

A agressão ocorreu anteontem, no recinto da escola, e a vítima sofreu escoriações no rosto e hematomas no corpo, tendo sido assistida no Hospital de Santarém e estando desde então de baixa médica. A agressão foi o último exemplo do mau comportamento de alguns elementos de etnia cigana e levou já à suspensão do transporte escolar a quatro alunos com idades entre os 6 e os 8 anos. 'Têm ocorrido muitos problemas não só nos autocarros mas também nas escolas e nas salas de aula, onde chegam a ofender os professores', disse ontem o presidente da Câmara de Coruche, Dionísio Mendes.

NOTAS

SUICÍDIO: PROFESSOR DE FITARES

Luís Vaz do Carmo, professor de Música da escola do 2.º e 3.º ciclos de Fitares (Sintra), suicidou--se em Fevereiro depois de sofrer sucessivas agressões verbais e físicas dos alunos

CONFAP: CHUMBO POR FALTAS

Albino Almeida, da Confederação Nacional de Pais, é contra o regresso do chumbo por faltas. 'Cada aluno que reprova são três mil euros deitados à rua', afirmou ao CM

FENPROF: TOMADA DE POSIÇÃO

O Conselho Nacional da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) aprova hoje uma posição sobre o combate às crescentes situações de indisciplina e violência nas escolas

16 de março de 2010

Austrália: Não é homem nem mulher

16 Março 2010 - 16h56

"Neutro" é a designação para quem não se identifica com nenhum dos dois sexos

Austrália: Não é homem nem mulher


A Austrália tornou-se no primeiro país a reconhecer uma pessoa “neutra”, isto é, uma pessoa sem género definido, tudo graças a um homem que se tornou mulher, mas que ainda assim não se sente parte da sociedade.

Norrie May-Welby nasceu homem no Reino Unido, mas nunca se sentiu como tal. Aos 28 anos decidiu recorrer a uma intervenção cirúrgica que lhe alterou o sexo, passando a ser uma mulher. O problema é que Norrie também não se identifica com o complexo mundo feminino.

Enfrentou a justiça e conseguiu com que as autoridades de Nova Gales do Sul, na Austrália, onde vive actualmente, lhe reconhecessem os direitos civis enquanto pessoa sem sexo determinado.

Segundo o diário online ’20 minutos’, o facto de os médicos não conseguirem determinar o sexo de Norrie foi decisivo na histórica resolução do Governo.

Norrie afirma que os conceitos de homem e de mulher não lhe dizem nada e, por isso, “a decisão mais sensata é a de não ter nenhuma identificação sexual”.

15 de março de 2010

15 Março 2010 - 17h12

Francesa mata seis filhos bebés.Escondeu os corpos numa cave.

Celine Lesage, uma mulher francesa de 36 anos é acusada do assassinato seis dos seus filhos recém-nascidos e de esconder os corpos numa cave.

Lesage é acusada de homicídio agravado por ter estrangulado dois dos seus filhos com uma corda e esganar os outros quatro, pondo-lhes os seus dedos nas suas bocas. Os crimes ocorreram entre 2000 e 2007, logo após o nascimento.


Os seus corpos foram envoltos em roupas sujas, dentro de sacos de plástico e escondidos, de acordo com o advogado de acusação.

O único filho que Celine deixou viver tem actualmente 14 anos.


Pascal Catherine, pai de cinco dos seus filhos também foi acusado de ocultação de cadáveres, no entanto os seus advogados conseguiram provar que pensava que os bebés não tinham chegado a nascer ou teriam sido abortados.


Em 2007 o filho de Celine de 14 anos mostrou os corpos ao namorado da mãe, devido ao mau cheiro proveniente da cave.

Mais tarde este seu namorado também veio a saber que o corpo do seu filho se encontrava num caixote do lixo, em casa, na cidade de Valognes.

De acordo com o jornal 'Daily Mail', Lesage clamou inocência por inimputabilide.
Linha SOS

por HELDER ROBALO e ELISABETE SILVA14 Março 2010

600 professores pediram ajuda por violência em 3 anos

Agressões verbais e físicas reúnem o maior número de queixas, vindas na maioria de mulheres. Alunos do terceiro ciclo, como os da turma de Fitares, são os mais problemáticos.

Desde 2006, ano de abertura do SOS Professores, que cerca de 600 docentes se queixaram à linha por serem vítimas de actos de violência. Às agressões físicas e verbais, juntam-se situações de indisciplina como aquelas que terão estado na origem do suicídio de um professor de Música de uma escola de Fitares.

Os alunos são a principal razão de queixa (58,4%), mas também os encarregados de educação agridem os docentes (25,5%). Da análise aos dados da linha - uma iniciativa da Associação Nacional de Professores (ANP) -, constata-se ainda que são sobretudo as mulheres que procuraram apoio. As faixas etárias dos 40 aos 49 anos e dos 50 aos 59 representam quase metade das chamadas efectuadas.

Segundo Mário Nogueira, da Fenprof, "as mais novas acabam por ter algum receio de fazer queixa, até por estarem há menos tempo na profissão. Já nas professoras com 50 ou mais anos, verifica-se um desgaste físico e psicológico. Podem ter a experiência de como lidar com situações problemáticas, mas o desgaste faz com que recorram a linhas como esta para terem algum tipo de apoio".

Os dados da linha demonstram também que são os alunos do terceiro ciclo - precisamente o nível de escolaridade da turma que alegadamente agredia o professor de Fitares -, com 50 queixas, e do secundário (46) que motivam mais problemas. Desde 11 de Setembro de 2006 até 19 de Junho de 2009, a linha recebeu 353 contactos, dos quais 184 foram efectuados durante o ano lectivo de 2006/2007, 136 em 2007/2008 e 33 em 2008/ /2009. A estes 353 contactos juntam-se mais dez efectuados entre 10 de Setembro de 2009 e 10 de Janeiro de 2010. Houve ainda o acompanhamento de 228 situações, o que perfaz um total de 581 serviços prestados.

Mário Nogueira não se mostrou surpreendido com o elevado número de pedidos de ajuda e realça a necessidade de se "apostar na prevenção" de actos de violência ou de indisciplina. "Mas, quando a prevenção falha, os professores devem ter meios para que haja uma punição exemplar."

E é neste ponto que o psiquiatra Manuel Louzã Henriques também se concentra. "É essencial que os professores sejam respeitados, que tenham autoridade e que possam aplicar uma disciplina actuante." Para o clínico, actualmente os professores não são respeitados, considerando que os alunos vêem os docentes como alguém para "dar marradas", até porque os próprios encarregados de educação acham que podem "bater e exigir dos professores".

Louzã Henriques salienta ainda que "fala-se muito de bullying, mas o correcto é chamar-se má criação. A sociedade quer que cada um acorde o selvagem que tem em si. Pessoas vistas como tímidas ou que gostam de reflectir sobre os assuntos são muitas vezes vistas como frouxas". Firmeza, não enveredar pela hipertolerância, são soluções a adoptar.

11 de março de 2010

Milhões em fuga por causa da burocracia

Milhões em fuga por causa da burocracia

Empresários ligados ao Turismo desistem após meses sem respostas


EDUARDO PINTO

Apanhados nas teias da burocracia, há projectos turísticos para o Douro, no valor de milhões de euros, a ficar pelo caminho. Outros não tiveram esse fim por uma unha negra. As entidades da região exigem maior agilização. Para bem do Turismo no Património Mundial.

O presidente da Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes, António José Teixeira, dá o mote: "Sei de muitos casos de empresários que queriam investir forte na região, mas que acabaram por mudar o rumo". Reserva-se o direito de não os nomear, mas sabe as razões. "Constataram que a região ainda não oferecia as condições necessárias para poderem fazer investimentos rentáveis". Culpa? "Da montanha de dificuldades. As instituições da região ainda vivem em alguma apatia". E daí, "abrir a porta de uma unidade de turismo rural, de um restaurante ou mesmo de um bar é desesperante".

Desespero foi coisa que António Saraiva, administrador da Quinta do Pêgo, em Tabuaço, sentiu em doses abundantes quando tratou da papelada para a transformação da casa da quinta, que estava a cair, numa unidade de Turismo de Habitação. "O processo foi muito complicado", frisa, lembrando os "seis anos enredados nas teias da burocracia". Valeu-lhe o empenho no processo e que o investidor dinamarquês, que gastou 3,7 milhões de euros na quinta, passasse pouco tempo em Portugal. Ficou insatisfeito com a demora, mas não teve a real noção da pesada burocracia. "Caso contrário, tinha desistido", acredita.

Condicionantes vários

O chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, conhece outros casos de quintas que têm projectos de recuperação e expansão, nomeadamente lagares e adegas, mas que esbarram em condicionantes vários, impostos, não só mas também, pelo estatuto de Património Mundial. O responsável diz que é preciso encontrar fórmulas para que, "não se violentando o valor cénico da paisagem, não se ponha em causa a actividade económica na região".

Após um ano a conduzir os destinos da Turismo do Douro, António Martinho também se queixa do "excesso de burocracia" nos processos de aprovação de projectos turísticos para o Douro e que "não tem permitido que se concretizem com a rapidez que os promotores querem e que a região necessita". Por isso, defende o recurso à "mesa decisória". Trata-se, no fundo, de uma reunião onde têm lugar todos os responsáveis pelas instituições com responsabilidades no licenciamento dos projectos e que ali decidem com o promotor os vários passos a dar até à conclusão do processo com êxito. "Já foi experimentada em algumas situações e resultou. Era bom que pudesse ser utilizada sempre que há algum problema", nota Martinho.

"Incompreensível"

Tendo o Douro um plano de de-senvolvimento turístico com verbas disponíveis, Martinho acha "incompreensível que ainda haja tanta burocracia que não permite que os projectos sejam aprovados". Refere-se, sobretudo, a projectos de hotelaria, restauração e mesmo imateriais (promoção, divulgação e animação).

As complicações de que os diferentes promotores se queixam são geralmente as mesmas: a necessidade de inúmeros pareceres, empurrões entre ministérios e organismos da Administração Central, bem como gavetas fundas de onde os processos tardam meses a sair.