29 de junho de 2010

Sócrates e Passos sem depósitos

Só dois líderes partidários reconhecem ter aforro constituído junto das instituições financeiras.

José Sócrates, líder do PS e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, e Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, não têm poupanças financeiras. As declarações de rendimentos entregues no Tribunal Constitucional (TC) pelos líderes dos cinco partidos com assento parlamentar deixam claro que apenas Paulo Portas, presidente do CDS--PP, e Francisco Louçã, coordenador do BE, declaram ter poupanças.

Os titulares de cargos políticos são obrigados, segundo a legislação que controla a sua riqueza (leis 4/83 e 25/95), a apresentar, no prazo de 60 dias após o início de funções, uma declaração com os seus rendimentos, onde tem de constar os activos em contas bancárias a prazo.

A exigência que o Fisco se prepara para fazer à Banca para divulgar os juros pagos aos depositantes terá consequências diferentes nos cinco líderes partidários.

Assim, após a consulta das declarações no Tribunal Constitucional chega-se à conclusão que, entre 1995, data a partir da qual é possível consultar esses documentos, e 2009, ano a que diz respeito a última declaração de rendimentos, José Sócrates nunca declarou ter poupanças.

A partir de 1995, Sócrates foi deputado, secretário de Estado, ministro e primeiro-ministro, cargo que ainda exerce, com o seu rendimento anual a evoluir até aos103 772 euros em 2008. Ontem, o gabinete do primeiro-ministro deixou claro ao CM que 'o primeiro--ministro não tem poupanças, como está na declaração de rendimentos.'

Como esteve fora da política durante anos, Passos Coelho só tem duas declarações de rendimentos consultáveis: uma de 1995 como deputado, na qual não há referência nem ao rendimento anual nem a poupanças, e uma de 2009, relativa ao início de funções como líder do PSD, onde diz ter ganho 96 391 euros/ano, trabalhando no sector privado, e não declara poupanças. Contactado pelo CM, Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, confirmou que 'Pedro Passos Coelho não tem poupanças'.

Jerónimo de Sousa também não declara poupanças, ainda que uma fatia do seu salário de deputado, que ascende a 56 mil euros, seja para o PCP, como é prática no partido. Paulo Portas, que já foi ministro e deputado, e Francisco Louçã, que é professor universitário, são os únicos com poupanças: Portas, que declarou sempre poupanças desde 1995, tinha 160 mil euros numa conta solidária no BCP, em 2008, e Francisco Louçã, que as declara desde 2008, tinha, em 2009, um PPR com 30 mil euros e certificados da Segurança Social com três mil euros.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/socrates-e-passos-sem-depositos

25 de junho de 2010

14 mil telemóveis vendidos por dia em Portugal

Nos primeiros três meses do ano foram vendidos 1,24 milhões de telemóveis, um aumento de 21%

No primeiro trimestre de 2010 venderam-se quase 14 mil telemóveis por dia, o que totaliza 1,24 milhões de equipamentos vendidos neste período. Segundo um estudo da consultora IDC, ontem divulgado, trata-se de um crescimento de 21% face ao mesmo período do ano anterior. No entanto, as vendas registam uma quebra de 28% em relação ao quarto trimestre de 2009.

O segmento dos smartphones foi o que apresentou maior dinamismo, refere o estudo, ao crescer 58% face ao primeiro trimestre de 2009, com 180 mil unidades vendidas. Também o segmento dos telefones tradicionais apresentou sinais de recuperação, ao crescer 17%, com um total de 1,06 milhões de unidades vendidas no primeiro trimestre.

Neste segmento - que representa 15% do total de vendas de telemóveis - destaca-se o crescimento dos telefones Blackberry, que conquistaram uma quota de mercado de 17%, face aos 2% que detinham no início de 2009.

"O mercado português de telemóveis teve no primeiro trimestre do ano uma recuperação significativa face às quebras de vendas verificadas em 2009. Contudo, temos de ser algo cautelosos nas conclusões a retirar destes dados. Apesar de uma evidente recuperação da procura, não podemos esquecer que o primeiro trimestre de 2009 foi dos piores trimestres de sempre no sector das telecomunicações", afirmou Francisco Jerónimo, responsável europeu de research da área de telefones móveis da IDC.

No ranking de fabricantes, a Nokia continua a perder quota de mercado, correndo o risco de perder a liderança para a Samsung no mercado português, refere a IDC. Apesar do crescimento de 4% nas vendas, a quota de mercado da Nokia caiu para 36% e no segmento dos smartphones reduziu para 52%. O portfólio da Nokia continua a ter dificuldades em espelhar o que os consumidores procuram e valorizam num terminal, salienta a consultora.

Já a Samsung encontra-se neste momento a três pontos percentuais da Nokia e é o segundo maior fabricante. As suas vendas cresceram 13% e a quota de mercado caiu para 33%. A empresa coreana continuou a não ter qualquer representatividade no segmento dos smartphones durante o trimestre, salienta o estudo.

A quota de mercado da LG subiu para 9%, contra os 7% obtidos no primeiro trimestre de 2009, com as vendas a crescerem 62%, nomeadamente na Vodafone e na Optimus.

Em quarto lugar, os terminais marca Vodafone (fabricados pela Huawei, ZTE e Alcatel) continuam a conquistar o mercado nacional com ofertas onde o baixo preço é o principal factor diferenciador, refere a IDC.

Finalmente, a Sony Ericsson viu as suas vendas aumentar 70% face a igual período de 2009, tendo a quota de mercado atingido os 5%. As campanhas associadas aos terminais W205 e Satio contribuíram para impulsionar as vendas deste fabricante durante o trimestre, conclui a consultora.

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1602234&seccao=Tecnologia

Portugal ganhou 600 novos milionários em ano de crise

No final de 2009 havia 11 mil portugueses com fortunas superiores a um milhão de dólares, mais 5,5% do que em 2008

A crise em que mergulhou o País durante o ano passado não impediu que a lista de portugueses com uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares (815 mil euros) ganhasse 600 novos nomes. De acordo com o estudo World Wealth Report 2009, elaborado em conjunto pela Capgemini e Merrill Lynch, no final de 2009 havia em Portugal um total de 11 mil milionários, um número que representa um crescimento de 5,5% face aos 10 400 milionários registados no relatório de 2008.

Segundo o relatório da Capgemini e Merrill Lynch - que exclui da contabilização do património as casas e restantes bens consumíveis -, a subida do número de milionários em Portugal foi alimentada pelo aumento dos preços do imobiliário (em 0,2%) e pela forte descida das taxas de juro. Outro factor apontado no World Wealth Report para o crescimento de mais de 5% no número de milionários portugueses foi a valorização da Bolsa portuguesa, que cresceu 33,5% em relação a 2008. A valorização de muitos títulos - principalmente no terceiro trimestre do ano, quando o PSI-20 valorizou 19,2% - terá contribuído fortemente para o crescimento de fortunas no País, salienta o estudo.

Os 600 novos milionários portugueses juntam-se assim a uma lista que é encabeçada pelos empresários Américo Amorim (fortuna avaliada em 2,83 mil milhões de euros), Belmiro de Azevedo (1,09 mil milhões de euros) e Joe Berardo (618,2 milhões de euros). Juntos, estes três milionários têm uma fortuna avaliada em mais de 4,5 mil milhões de euros, equivalentes a 2,8% do PIB.

Para o crescimento das fortunas milionárias em Portugal pouco ou nada contaram os números da recessão da economia portuguesa, adianta o World Wealth Report. Recorde-se que em 2009 registou--se uma contracção de 2,7% do PIB, o recuo de 21,8% nas exportações e o decréscimo da produção industrial em 8,1%. Ao longo do ano passado, destacam ainda a Capgemini e a Merrill Lynch, há ainda a assinalar a queda do consumo interno em 10%.

Não foi só em Portugal que o número de milionários aumentou. O relatório ontem divulgado aponta para um crescimento de 17,1% em 2009, atingindo um total de 10 milhões de pessoas que possuem uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares. A Capgemini e a Merryl Lynch destacam ainda que, além do número de milionários ter aumentado, as suas fortunas também engordaram durante o ano passado. No final de 2009, a totalidade destas fortunas ascendia a 39 mil milhões de dólares (cerca de 31,8 mil milhões de euros).

Na apreciação que fizeram dos resultados deste estudo, os responsáveis pelo relatório referem que "os últimos anos têm sido relevantes para os investidores ricos". Segundo Sallie Krawcheck, do Global Wealth & Investment Management, "enquanto em 2008 a riqueza global dos milionários sofreu um declínio sem precedentes, um ano depois existem claros sinais de recuperação e em algumas áreas verifica-se mesmo o regresso aos níveis de riqueza e crescimento registados em 2007".

FONTE: http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1602270

23 de junho de 2010

Falhas na preparação dos alunos estão a afectar cursos

Estudantes têm cada vez mais dificuldades de base a Matemática

Um meio mais um meio? 27 % dos alunos do Técnico falharam. Professores alertam que as lacunas que os “caloiros” trazem afectam as licenciaturas. E temem não recuperá-los.

Saber a tabuada de cor, resolver uma equação, fazer contas com parêntesis, calcular uma raiz quadrada à mão, somar fracções ou multiplicar potências são algumas das dificuldades que os estudantes têm a Matemática. No ensino básico ou no ensino secundário? Em ambos, mas não só.

Estamos a falar de um problema que afecta cada vez mais os “caloiros” nas universidades. O PÚBLICO ouviu vários professores universitários portugueses que leccionam cadeiras onde “o bicho-de-sete-cabeças” é central. Confrontam-se, diariamente, com alunos “sem hábitos de trabalho e sem espírito de sacrifício”. E temem os efeitos desta “cultura de facilitismo”.

Contudo, o problema já não é só de conhecimento. Traduz-se no comportamento. Numa aula os alunos não devem colocar os pés na cadeira da frente nem ter bonés. Devem evitar sair durante a aula e é costume colocar o dedo no ar quando querem falar. O uso de telemóveis está proibido. É importante manter um ambiente de trabalho.

É desta forma que os semestres começam nas faculdades, com uma explicação das regras básicas de funcionamento de uma aula – e que têm de ser lembradas ao longo do ano. “Tenho conseguido ser a autoridade dentro da sala mas perco tempo a explicar normas simples e coisas que nem sabem que não devem fazer”, conta Ana Rute Domingos, professora do departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade Lisboa. Com 42 anos e a dar aulas desde 1993, maioritariamente de Cálculo em cursos como Engenharia do Ambiente, Biologia, Física ou Bioquímica, nota que “houve uma grande perda na aplicação de conceitos básicos a novas situações”.

Uma opinião corroborada por Paulo de Carvalho, que lecciona Teoria da Informação e Computação Gráfica na licenciatura em Engenharia Informática na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. “Classifico-os como uma geração wikipedia: satisfazem-se muito facilmente com conhecimentos superfi ciais”, explica o docente de 42 anos, a dar aulas há 19 anos. “Há ausência de consolidação de conceitos e os alunos estão viciados no uso da calculadora.”

Ana Isabel Filipe, do departamento de Matemática e Aplicações da Escola de Ciências Universidade do Minho, que tem dado cadeiras de Álgebra Linear, Análise Matemática e Cálculo em cursos na área das engenharias, faz uma radiografia: “Os alunos estão dentro de cursos que não gostam. Procuram um curso com empregabilidade e ocupam a vaga de quem até tinha uma nota menor mas tinha gosto. Estão todos fora do sítio”, explica a professora de 55 anos que dá aulas desde 1978.

O Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa, não é excepção. Luísa Ribeiro, docente do departamento de Matemática que tem leccionado cadeiras como Cálculo Diferencial e Integral em várias engenharias, admite que os alunos mudaram. Fizeram há uns anos uma prova de aferição para perceberem as suas difi culdades. Uma das perguntas – que servia para “aquecer” – era quanto é um meio mais um meio e a resposta era de escolha múltipla. Cerca de 27 por cento falhou. Em jeito de ironia Luísa Ribeiro, de 53 anos, assume que chegam “infantilizados”, o que não estranha tendo em conta que “até a idade pediátrica foi alargada até aos 18 anos”. “Em algum lado têm de começar a ser responsáveis. Têm uma preparação de uma pessoa de início de secundário ou pior. São ensinados a não pensar e isso em Matemática é desastroso. Foram treinados como um cãozinho para um exame”, diz Luísa Ribeiro.

Na área das Ciências Sociais e Humanas, apesar de a Matemática não ser central, os professores também sentem as diferenças. Oliveira Martins tem leccionado cadeiras de Economia e Métodos Quantitativos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Aos 43 anos e a dar aulas desde 1997 afirma que “há menos maturidade”. Para o docente do departamento de Ciências da Comunicação os alunos sabem que “há menos probabilidades de conseguirem emprego e não percebem porque é que se devem esforçar”. “Sinto-me um professor de liceu quando o que sempre me atraiu na faculdade foi ensinar e aprender com eles. Perco metade da energia a estabilizar a turma e muito tempo a explicar conceitos como a média, a moda ou o desvio padrão em Métodos Quantitativos ou o conceito de infl ação e de PIB ou como calcular taxas de crescimento em Economia.”

Para estes docentes um dos “culpados” é o (ab)uso da calculadora. “Explico- lhes que não é nenhum oráculo e que a Matemática é simples mas exige trabalho. É preciso treinar o raciocínio abstracto e a verdade é que já nem sabem somar fracções, multiplicar potências...”, prossegue Luísa Ribeiro, que critica o facto de “tudo se fazer para ter estatísticas de sucesso sem nunca defi nir o que é sucesso”.

Ana Rute Domingos também sublinha que ao disseminar-se a ideia de que o ensino tem de ser muito divertido esqueceu-se a importância, por exemplo, da memorização. “Tenho muitos alunos que não sabem a tabuada e que ainda contam pelos dedos ou que nem sabem a fórmula resolvente.” Para colmatar estas falhas, desde 2007 que a docente e a sua faculdade organizam, antes no início do novo ano lectivo, um curso de Matemática para quem quer entrar em licenciaturas onde esta é central. Este ano o projecto "Matemática em Setembro" terá lugar de 2 a 10 de Setembro e acolherá, além de alunos pré-universitários, estudantes de 11.º ano que se queiram preparar para o 12.º. Têm a oportunidade de utilizar uma forma mais lúdica para demonstrar que “a Matemática está em tudo o que fazemos no dia-a-dia”. Ressalva, no entanto, que os alunos de hoje não são menos inteligentes, “não se trabalha é o que têm”.

Um factor que Paulo de Carvalho também não coloca em causa. “Os alunos são igualmente inteligentes. A formação é que é o problema. Na década de 1990 instalou-se a ideia romântica de que a aprendizagem tem de dar prazer e isso não é uma verdade absoluta. Vivemos um problema de inteligência pública”, defende. “Na entrada na universidade passou a privilegiar-se a nota em vez do saber. Na Matemática não pode haver facilitismo. A Matemática exige treino com lápis e papel”, acrescenta Ana Isabel Filipe. “As pessoas são inteligentes mas acomodam-se. Se é para resolver apenas os problemas postos pelos outros não é preciso ser-se engenheiro”, completa Luísa Ribeiro. “Criou-se a ideia de que a aprendizagem não é dolorosa. Há um culto do facilitismo e de desvalorizar o conhecimento que se acentuou com os cursos de três anos”, conclui Oliveira Martins.

FONTE: http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/estudantes-tem-cada-vez-mais-dificuldades-de-base-a-matematica_1443028

Boy socialista ganha 5 milhões

Ordenado de Rui Pedro Soares na PT disparou nos últimos cinco anos.

Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, ganhou mais de quatro milhões de euros em cinco anos (2005 a 2009). Se a este valor somarmos o prémio de 600 mil euros que o ex--gestor tem a receber pela renúncia do cargo de membro executivo da administração, o montante das remunerações ascende a 4,7 milhões de euros. Com os salários já ganhos ou a auferir ao longo de 2010, Rui Pedro factura quase cinco milhões.

Só em 2009, Rui Pedro Soares declarou ao Fisco mais de 1,5 milhões de euros, o que, a dividir por 14 meses, dá perto de 110 mil euros por mês. O ex-gestor, com ligações ao PS e amigo de José Sócrates e Mário Lino, renunciou ao cargo em Fevereiro passado, pouco depois de serem divulgadas as escutas do processo ‘Face Oculta’, que o envolvem no negócio PT-TVI e na contratação de Luís Figo com a contrapartida de apoiar o PS nas legislativas.

Rui Pedro ingressou na PT em 2001, sendo nomeado administrador executivo em 2005. Foi precisamente no ano em que entrou para a administração executiva da PT que o ordenado de Rui Pedro Soares disparou de quase 72 mil euros, em 2005, para mais de 465 mil euros, em 2006. Nos anos seguintes, o seu vencimento continuou a subir em flecha: recebeu mais de 978 mil euros, em 2007, e cerca de 996 mil euros, em 2008.

Nestes últimos anos, Rui Pedro enriqueceu ainda o seu património imobiliário. O ex-gestor da PT é dono de um imóvel em S. Jorge de Arroios, Lisboa, cujo valor patrimonial ronda os 555 mil euros, mas foi adquirido, em 2006, por 674 mil euros. E tem uma casa em Alvor (Portimão), com um valor patrimonial superior a 213 mil euros, que foi comprada por 470 mil euros. Rui Pedro fez dois créditos para a compra das mesmas: um de 700 mil euros e outro de 200 mil.

O CM sabe que, neste momento, Rui Pedro não tem categoria de director na PT nem pelouros atribuídos. O ex-gestor está colocado na área internacional. O CM tentou contactar Rui Pedro Soares mas este não esteve disponível.

RENDIMENTOS DECLARADOS AO FISCO

2009: 1 540 848,00 - Em Março de 2009 é reeleito administrador executivo da PT.

2008: 996 470,20 - Entra na administração do Taguspark representando a PT.

2007: 978 453,20 - Fica responsável por áreas como patrocínio e publicidade.

2006: 465 051,78 - Nomeado administrador executivo da PT SGPS e Imobiliária.

2005: 72 635,68 - Administrador da PT Compras, após entrada no quadro em 2004.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/boy-socialista-ganha-5-milhoes

21 de junho de 2010

Mil directores têm lugar em risco com nova reforma

Escolas, professores e municípios preocupados com efeitos de fusões.

Até um milhar de directores de escolas e adjuntos - a esmagadora maioria em funções há menos de um ano - arriscam perder os seus postos com a fusão de agrupamentos que o Governo quer promover. Ameaçados estão também muitos professores e funcionários, sobretudo os que têm vínculos precários. E até as autarquias temem ver desperdiçada parte do investimento feito nos últimos anos na requalificação das escolas.

A reforma consta da Resolução 44/2010, do Conselho de Ministros, a mesma que decretou o fecho das escolas primárias com menos de 21 alunos. E está a gerar enorme preocupação a todos os parceiros, que dizem não entender a pressa do Governo e o facto de não terem sido ouvidos no processo.

Na prática, a ordem do Governo é para que acabem os chamados agrupamentos horizontais, constituídos apenas por escolas do mesmo nível de ensino. Uma medida que significa que, até ao próximo ano lectivo, as cerca de 330 escolas secundárias - até hoje separadas da restante rede - vão passar a ser as escolas-sede de agrupamentos que irão do pré-escolar ao 12.º ano. Mas as implicações desse passo vão fazer-se sentir a todos os níveis do sistema.

Desde logo porque as antigas escolas-sede dos agrupamentos vão perder esse estatuto para as secundárias, pondo em causa o emprego das suas direcções: "O que está a ser dito às escolas é que os directores das secundárias vão passar a presidir às CAP [Comissões Administrativas Provisórias] dos novos agrupamentos e os outros, cujos agrupamentos desaparecem, têm 15 dias para deixar funções", disse ao DN Adalmiro da Fonseca, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que considera "razoável" estimar em um milhar os postos de trabalho de directores e adjuntos em risco. A estes há ainda a somar os professores e funcionários alvo destas fusões (ver texto).

Mas as preocupações concentram-se, sobretudo, no impacto da medida na qualidade do ensino. O presidente da ANDAEP ressalva que a associação até "concorda com o princípio" de reunir os vários ciclos de escolaridade num agrupamento, tendo em conta o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos. Só não aceita a forma "apressada" com que o processo está a ser implementado, reconhecendo que "a única explicação possível" é a vontade governamental de cortar na despesa.

"Em termos pedagógicos, não há benefício nenhum em fazer as coisas desta forma", diz. "Criar um novo agrupamento implica um conjunto de alterações. Desde logo, é preciso aprovar um novo projecto pedagógico, e não se aprova um projecto pedagógico para um agrupamento do 1.º ciclo ao secundário em alguns meses."

Opinião idêntica tem António José Ganhão, presidente da Comissão de Educação da Associação Nacional de Municípios. "A nossa reacção, neste momento, é de total surpresa", diz ao DN. "Este tipo de alterações acarreta a obrigação constitucional de negociar com as autarquias, mas nem sequer fomos consultados sobre o assunto", critica.

O presidente da Câmara de Benavente questiona também o porquê da medida: "Estes novos agrupamentos terão, em alguns casos mais de 2500 alunos. A anterior equipa ministerial dizia que era indesejável ter mais de 2000 sob a mesma gestão. Não entendo o que mudou", desabafa. O autarca lembra que, "com o acordo" do último Governo PS, foram aprovadas novas cartas educativas dos municípios, e que estes assumiram "como prioridade", ao nível da utilização de fundos estruturais, a reabilitação do seu parque escolar. O DN tentou sem sucesso ouvir o Ministério da Educação.

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1598836

Postos SOS de IP e IC ficam sem funcionar até 2011

Concessionária diz que rede de 304 pontos estava obsoleta e era cara. E desligou-a.

Os 304 postos de SOS dos itinerários principais e complementares (vulgo IP e IC) estão fora de serviço. Foram ensacados e apertados com fita adesiva. Estão todos desactivados e ninguém pode usá-los para pedir ajuda em caso de emergência nas principais estradas da rede rodoviária nacional. Isso mesmo confirma a Estradas de Portugal (EP), empresa concessionária: os postos SOS foram "calados" para remodelar toda a rede e, pelo menos até 2011, os automobilistas não podem contar com eles. Os representantes das comissões de utentes do IP3 e do IP4 estão indignados.

"O actual sistema SOS, instalado em meados da década de 90, será totalmente renovado por tecnologias mais avançadas", tendo em conta, designadamente, "melhores capacidades de gestão de níveis de serviço e consequente optimização de custos, derivado às actualizações tecnológicas disponíveis actualmente no mercado" refere a Estradas de Portugal , via e-mail, respondendo às questões lançadas pelo DN.

A concessionária de algumas das principais vias nacionais não diz qual será o próximo modelo a adoptar para colmatar a supressão do actual equipamento. "Os casos do IC2, IC6 e IP3 enquadram-se no plano de revisão dos sistemas de emergência de toda a rede nacional da EP, que mesmo não estando em rede de auto-estrada, se encontra actualmente em processo de revisão e de avaliação para a sua substituição a partir de 2011", refere a empresa.

Segundo os números divulgados, "o sistema de emergência SOS da Estradas de Portugal era constituído por 304 postos, sendo o atendimento dos mesmos realizado pela GNR, nos quartéis de Vila Real, Coimbra, Santarém e Beja".

A EP coloca a excepção nas auto-estradas, porque, "de acordo com o actual contrato de concessão da rede rodoviária nacional do Estado com a EP - Estradas de Portugal, SA, estabelece-se expressamente no n.º 48.1, a obrigação de ser assegurada assistência aos utentes das auto-estradas, mas apenas nestas vias".

Perante este cenário, Luís Basto, o dirigente da Comissão de Utentes do IP4, mostra-se profundamente chocado. Um dos argumentos de quem defende os utilizadores desta via - que liga Matosinhos a Trás-os-Montes à fronteira de Espanha em Bragança (fronteira de Quintanilha) - é o de que "neste troço de montanha, em que há zonas onde não há qualquer hipótese de pedir ajuda a ninguém, não há aldeias nem estações de serviço, esse dipositivo só deveria ser desactivado depois de as viaturas estarem equipadas com sistemas automáticos de alerta". No caso do IP4, critica, "é incompreensível: não é por causa de postos SOS que se gasta mais dinheiro ao País". Remata: "Parece que Portugal é todo para fechar, tirando Lisboa e Porto."

A cem quilómetros dali, Eduardo Ferreira, presidente da Comissão de Utentes do IP3 (Coimbra/Viseu), diz o mesmo, indignado. E acrescenta: "É evidente que os telemóveis vieram ajudar as comunicações, mas há muitos momentos em que não há rede, bateria ou dinheiro! As coisas essenciais à vida têm de se manter, por via do Estado. Isto é a psicose da poupança levada ao extremo."

Até 2011 não vale a pena carregar no botão dos postos cor de laranja que dizem SOS. A concessionária aconselha ... o uso de telemóvel (ver caixa).

FONTE: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1598856

17 de junho de 2010

Escola de sucesso também encerra

A ministra reafirmou que são estabelecimentos sem condições que vão encerrar, mas em Capinha, Fundão, uma “boa escola” também está no lote .

A escola de Capinha, Fundão, tem uma sala multimédia com oito computadores, cantina, espaço coberto onde as crianças fazem ginástica no Inverno e aquecimento central. Em 2008 foi alvo de obras de recuperação, no valor de 250 mil euros, com o objectivo de acolher devidamente as crianças de escolas mais pequenas encerradas. Nos últimos seis anos nenhum aluno ficou retido no fim do ciclo. Que esta escola encerre no âmbito da medida que atinge os estabelecimentos de ensino básico com menos de 21 alunos é, no entender do presidente da Junta de Freguesia, Rogério Palmeiro, 'uma barbaridade'.

Questionada pelo CM sobre se as escolas com condições de equipamento e sucesso educativo também serão encerradas, a ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou ontem que '21 é um número referencial que está a ser trabalhado no terreno', sendo 'o mais importante' a existência de um professor para cada ano de escolaridade. Em Capinha há dois professores – um para os alunos dos quatro anos do 1º ciclo e outro para crianças com necessidades educativas especiais. 'O resultado tem sido positivo', assegura Rogério Palmeiro, manifestando perplexidade: 'Se o modelo de escola com sucesso e com condições não presta, então qual é a escola boa?'

Ouvida ontem a pedido do Bloco de Esquerda, na Comissão Parlamentar de Educação, a ministra reforçou a intenção de encerrar escolas sem condições, garantindo que as crianças 'vão para escolas melhores'. Escusou-se contudo a responder à pergunta da deputada dos Verdes Heloísa Apolónia: 'Se uma câmara disser ‘a escola não fecha’, a escola fecha ou não?' Não respondeu, mas garantiu existir entendimento entre o Ministério da Educação e os municípios, adiantando que professores e auxiliares das escolas encerradas passam a exercer funções nas que acolherem as crianças.

Notando que o tempo de deslocação para as novas escolas será um dos aspectos a considerar neste processo, Alçada não referiu contudo distâncias ou tempos de deslocação máximos.

PROTOCOLO COM MUNICÍPIOS PARA TRANSPORTE


O secretário de Estado da Educação João Mata, que, tal como Alexandre Ventura, secretário Adjunto, acompanhou a ministra ao Parlamento, garantiu que será lançado um programa de transportes escolares para as crianças deslocadas devido ao encerramento de escolas do 1º ciclo. Ao CM, Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, confirmou que a secretaria--geral está a ultimar um protocolo que será apresentado ao Ministério da Educação. Seguem-se acordos com cada autarquia afectada.

PORMENORES

MENOS DE 300 ALUNOS


O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, afirmou que cerca de 300 alunos (com mais de 15 anos e a frequentar o 8.º ano) estão em condições de ingressar no 10.º sem a frequência do 9.º.

ALGUNS PROFESSORES


'O recrutamento não se faz antes de conhecer as necessidades do sistema', disse Alexandre Ventura sobre o compromisso de admitir 'alguns professores' no quadro em 2011.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/escola-de-sucesso-tambem-encerra

16 de junho de 2010

Só PCP e PS propuseram alterações ao relatório do caso Governo/TVI

O PCP e o PS foram os únicos partidos a propor alterações ao relatório da comissão de inquérito ao “caso TVI”, que vai ser discutido sexta-feira e ainda não tem aprovação garantida.

Enquanto o PS propôs a eliminação de todas as conclusões propostas pelo deputado João Semedo e quer que o documento diga claramente que “o primeiro-ministro disse a verdade” ao Parlamento, o PCP quer clarificar que o negócio teve “motivações políticas”.

Apesar de considerar que “é claro” que o primeiro ministro “faltou à verdade” quando disse desconhecer a operação, o PCP desvalorizou o facto de o relatório proposto por João Semedo não utilizar aquela expressão ou a palavra “mentiu” e anunciou que votará a favor.

O CDS-PP e o PSD decidiram não apresentar propostas de alteração. Os democratas cristãos não anunciaram oficialmente o sentido de voto, mas deverão votar a favor.

Os sociais-democratas apresentarão uma declaração de voto, a ser elaborada pelo deputado Pacheco Pereira, o único que consultou os resumos de escutas enviados à comissão de inquérito.

A informação recolhida nos resumos de escutas deverá ser usada sem recurso a citações.

Com o voto a favor do deputado do PCP, do BE (autor do projecto de relatório), dos dois deputados do CDS-PP e o voto contra dos sete deputados do PS, só o voto favorável do PSD pode garantir a aprovação do relatório.

O coordenador dos sociais-democratas na comissão de inquérito, Pedro Duarte, manteve-se hoje em silêncio sobre a posição do PSD, remetendo uma decisão para os próximos dias.

O regulamento da comissão de inquérito prevê que, “caso o projecto de relatório seja rejeitado, deverá ser nomeado outro relator”.

Questionado sobre essa possibilidade, o deputado do PCP João Oliveira disse que terá que ser avaliada em função da sua “utilidade para os trabalhos”.

No sábado passado, o coordenador dos sociais-democratas, Pedro Duarte, lamentou que o relatório não tenha ido mais longe, e frisou que os sociais-democratas defenderam que a comissão tinha todo o direito e a obrigação de ir mais longe no apuramento da verdade, “encontrando meios de prova que pudessem melhor fundamentar as conclusões finais”.

“A verdade é que não foi essa a opção, infelizmente, da maioria da comissão”, lamentou, referindo-se à proibição de referências a escutas na comissão e no relatório.

A proposta de relatório apresentado pelo deputado João Semedo conclui que o primeiro-ministro e o Governo “tinham conhecimento” da operação da TVI e que o Governo interveio por duas vezes no negócio, uma delas deixando prosseguir a operação e outra pondo-lhe fim sem dela ter tido “sem terem tido informação oficial” por “razões políticas do seu exclusivo interesse”.

João Semedo conclui também que a tentativa de compra da TVI pela PT tinha a perspectiva da alteração da linha editorial da estação.

FONTE: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/so-pcp-e-ps-propuseram-alteracoes-ao-relatorio-do-caso-governotvi_1442036

5 milhões para apoio de Figo e Mourinho

Nova escuta revela mais dados. Rui Pedro Soares tinha cinco milhões do Taguspark para investir na adesão das duas estrelas à campanha do PS.

Uma escuta a Paulo Penedos e a Rui Pedro Soares ainda não divulgada publicamente mostra que o segundo estava disposto a gastar cinco milhões do Taguspark para obter o apoio de Figo e Mourinho à campanha de Sócrates. O negócio previsto com Figo previa, para lá dos 750 mil euros pagos em fracções de 250 mil anuais, a transferência da Fundação do ex-jogador para o Taguspark e uma 'unidade de tecnologia de informação' que, segundo diz Rui Pedro a Penedos, Figo vai fazer com a Nike. Em contrapartida, Figo ia, para lá de apoiar Sócrates, ser a imagem do Taguspark.

Na referida conversa entre Rui Pedro Soares e Paulo Penedos são discutidos os contactos com Figo e Mourinho, a marcação de uma reunião em Milão e o dispêndio de cinco milhões. Rui Pedro Soares diz taxativamente que 'vão deixar lá os cinco milhões para os outros' mas acaba a exprimir a esperança de só gastar quatro milhões. O CM sabe que, em relação a Mourinho, as conversas andavam sobretudo em torno da instalação de um pavilhão da Faculdade de Motricidade Humana, onde o treinador se licenciou, no Taguspark. Mourinho acabou por não celebrar qualquer espécie de contrato.

Nesta escuta, Rui Pedro Soares relata a Paulo Penedos a sua intenção de abordar Catarina Portas para apoiar o PS. O assunto terá sido discutido no núcleo político mais próximo de Sócrates. Rui Pedro refere o nome de ‘Maria Rui’, ex-assessora de Sócrates e pessoa da sua máxima confiança, com quem sempre preparou as campanhas eleitorais. Maria Rui opunha-se a Catarina Portas.

FONTE: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/5-milhoes-para-apoio-de-figo-e-mourinho