28 de março de 2012

Mala de dinheiro falada em reunião

William McKinney, irlandês que vendeu os terrenos de Alcochete ao Freeport, admitiu durante a investigação ao licenciamento do outlet que os ingleses pagaram uma comissão para que o projecto fosse aprovado e que o dinheiro foi entregue numa mala. Ontem, em tribunal, tentou justificar a afirmação como uma conversa informal e uma "piada" partilhada entre os técnicos do projecto.


McKinney garantiu ao juiz "nunca ter ouvido falar de nenhum pedido de pagamentos" às autoridades para que o Freeport tivesse luz verde. Aí, foi confrontado com as declarações prestadas no inquérito. Numa fase inicial o irlandês afirmou que "o que o Freeport fez é assunto do Freeport" e destacou que estava "no fundo da cadeia". Perante a insistência do colectivo de juízes e do Ministério Público (MP) em torno da mala, McKinney detalhou: "Eu referi isso, efectivamente, mas em conversa informal, nunca no depoimento", garantiu. "Fico surpreendido que essa conversa esteja no depoimento transcrito", acrescentou. Ao que o CM apurou, o antigo dono dos terrenos de Alcochete foi ouvido pelo MP e Polícia Judiciária durante um dia inteiro, com intérprete, tendo confirmado e assinado as declarações prestadas no final do depoimento. A insistência foi tanta que McKinney acabou por confessar estar "arrependido de ter dito tal frase" e especificou que o tema da mala surgiu numa reunião de uma equipa de técnicos do Freeport, em Londres, "mas sempre em conversas informais" e a "título de piada", justificou.
O julgamento do caso Freeport prossegue amanhã com a inquirição das duas amigas, Fernanda Guerreiro e Mónica Mendes, que dizem ter ouvido Manuel Pedro afirmar terem sido pagas luvas a José Sócrates. 

"TENHO MUITOS AMIGOS MAS NENHUM PINÓQUIO"
Fonseca Ferreira, ex-presidente da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, citado num email como "amigo próximo do Pinóquio" – nome de código que surge várias vezes nos autos e que a investigação suspeitou tratar-se de José Sócrates – garantiu ontem ter "muitos amigos mas ninguém que seja apelidado de Pinóquio".
Já Jonathan Rawnsley, administrador do Freeport, disse que Charles Smith e Manuel Pedro "facilitavam reuniões com entidades oficiais com vista à aprovação do projecto".

in Correio da Manhã

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