27 de agosto de 2012

Filha de Paula Rego acusa Ministério das Finanças de erro na avaliação da fundação da pintora

Fundação Paula Rego só não teve avaliação positiva porque os autores do relatório se enganaram nas contas. E a do Côa foi avaliada para o triénio 2008-2010, quando só foi criada em 2011.  

No Relatório de Avaliação das Fundações coordenado pelo secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, do Ministério das Finanças, a Fundação Paula Rego, que gere a Casa das Histórias, em Cascais, recebeu uma pontuação total de 40,8 em 100 possíveis. Este resultado negativo terá mesmo levado o Governo a sugerir à Câmara de Cascais a extinção da fundação, criada em 2009 para promover a obra de Paula Rego e do seu falecido marido, o pintor Victor Willing. Acontece que houve um erro nas contas: a fundação deveria ter tido 55 pontos, um resultado não apenas positivo, mas que a colocaria num lugar confortável entre as fundações públicas e público-privadas.

Carolina Willing, filha de Paula Rego e membro do conselho de administração da fundação, não tardou a dar pelo erro: "Feitas as contas, a fundação atingiu 55 pontos, e não 40", garante, adiantando que a instituição irá "aguardar a conclusão do processo antes de decidir como prosseguir". O PÚBLICO foi confirmar os dados no portal do Governo e não parecem existir dúvidas de que a administradora tem razão.

Se se compararem os resultados da Fundação Paula Rego com os de outra fundação de fins culturais também sediada em Cascais, a D. Luís I - entre cujos fundadores se incluem a Sociedade Estoril Sol, o empresário Stanley Ho e a autarquia -, verifica-se que tiveram uma avaliação rigorosamente idêntica nos parâmetros "pertinência" e "sustentabilidade", diferindo apenas no parâmetro "eficácia", tendo a D. Luís I obtido 22,1 pontos, ao passo que a Fundação Paula Rego se ficou por uns embaraçosos 8 pontos. Dado que todos os outros números coincidem, só esta diferença pode justificar que, na avaliação final, a D. Luís I obtenha mais 14,2 pontos do que a sua vizinha.

O erro que Carolina Willington detectou está justamente nas contas que o Ministério das Finanças fez para chegar ao total de 8 pontos no critério de "eficácia". E, como se comprova pela infografia que ilustra este texto, o erro salta à vista. O relatório define três sub-parâmetros para avaliar a eficácia, e as duas fundações obtiveram os mesmos resultados no primeiro e no terceiro. Só no segundo, relativo aos "fundamentos para a manutenção dos apoios financeiros públicos concedidos", é que há, de facto, uma diferença, só que favorável à Fundação Paula Rego, com 81,3 pontos contra os 70 obtidos pela D. Luís I.

Este estranho erro fez com que a fundação que gere a Casa das Histórias - um museu de acesso livre que conta no seu espólio com centenas de obras cedidas gratuitamente por Paula Rego, e que está instalado num edifício projectado por um prémio Pritzker da arquitectura, Eduardo Souto de Moura - aparecesse nos meios de comunicação como uma instituição mal gerida, a ponto de ser recomendada a sua extinção.

"É um vexame", diz a directora do museu Casa das Histórias, Helena Freitas, lembrando que Paula Rego é a artista portuguesa com maior prestígio internacional e garantindo que o museu "tem um excelente desempenho e é já conhecido dentro e fora do país". A própria artista, adianta, terá "ficado incomodada" com a notícia.

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