14 de abril de 2011

Estudo revela que os Censos online têm 90 falhas

Um estudo da Tangível revela que a versão online dos Censos 2011 apresenta quase 90 falhas. Nalguns casos as respostas dadas pelos cidadãos poderão ter sido desvirtuadas.

Ontem, começaram a circular as primeiras notícias de que metade da população optou por responder pela a Internet quando chegou a hora de participar nos Censos 2011.

Hoje, a Tangível informou que, apesar de bem sucedida em termos de adesão, a versão online dos Censos apresenta quase 90 falhas no que toca à usabilidade e à apresentação das respostas.

"Houve casos em que os utilizadores esperavam perguntas mais inteligentes. E houve nuances que levaram as pessoas a pensar que já tinham respondido à mesma questão três vezes", explica Filipe Plácido, designer de Usabilidade da Tangível, apontando uma das falhas descobertas durante o estudo efetuado com o site dos Censos 2011.

O estudo da Tangível, que seguiu a metodologia Usability Testing, pressupôs a observação e gravação em vídeo das sessões de resposta de seis utilizadores à versão online dos Censos. De acordo com a Tangível, este teste permite apurar 70% a 80% das falhas relacionadas com a usabilidade e a apresentação de informação de um site.

A Tangível contou ainda com o apoio da Português Claro para a análise dos conteúdos dos Censos.

A empresa sediada em Coimbra atribuíu uma nota positiva aos Censos online, mas aponta várias lacunas ao questionário. Entre elas, destacam-se mensagens de erro demasiado técnicas; perguntas que não eram claras quanto às divisões das habitações que deveriam ser referidas; o campo relativo às habilitações não dispunha de carateres suficientes para indicar alguns cursos; o sistema calculava mal a idade real; em vários casos não era claro se o utilizador estava a responder por ele próprio ou por alguma das pessoas que tem a seu cargo; nas perguntas que pressuponham um salto alguns utilizadores ficavam à espera sem saber o que fazer devido a uma animação que entretanto surgia no ecrã.

A estas falhas juntava-se ainda o cansaço que poderia apoderar-se de alguns dos inquiridos no final das respostas e a lentidão que o sistema do Instituto Nacional de Estatística (INE) registou em alguns picos de utilização.

Filipe Plácido admite que grande partes destas falhas pudesse ser evitada "se antes de se lançar o questionário se tivessem feito os devidos testes".

Os resultados agora anunciados pela Tangível são apenas preliminares: A Tangível deverá dar a conhecer nos próximos tempos um relatório conclusivo sobre este estudo.

FONTE: Exame Informática

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